Política

Daniel Vorcaro atribui crise do BRB à Polícia Federal, nega perdas e pede liberdade

Em depoimento prestado à Polícia Federal em 15 de outubro e tornado público nesta quinta-feira (29.out) após ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou responsabilidade pela crise financeira do BRB (Banco de Brasília). O executivo afirmou que a liquidação de sua instituição e sua prisão geraram uma crise de credibilidade que resultou na fuga de R$ 9 bilhões em saques do banco público.

Segundo o empresário, a situação comprometeu severamente a capacidade de captação da instituição financeira estatal. Durante a oitiva conduzida pela delegada Janaína Palazzo, ele declarou que o banco vive essencialmente de confiança pública e que os problemas enfrentados decorrem do contexto de colapso do Banco Master, que atuava como parceiro comercial.

Contestação sobre prejuízos e operações financeiras

Daniel Vorcaro também rebateu os apontamentos da investigação policial a respeito de supostos prejuízos bilionários nas operações de crédito realizadas entre as duas instituições. Embora os laudos periciais tenham apontado inconsistências e créditos inexistentes nas carteiras negociadas, o executivo argumentou que o impacto contabilizado de R$ 12,2 bilhões não representa uma perda definitiva de recursos.

De acordo com a argumentação apresentada na ocasião, seria fundamental analisar os ativos entregues em substituição às carteiras questionadas. O fundador sustentou que esses bens poderiam inclusive superar o valor original desembolsado pelo banco público, motivando o pedido por uma perícia independente para esclarecer os fatos com precisão técnica.

Rebate da delegada e pedido de liberdade

Em contrapartida, a delegada Janaína Palazzo contestou a linha de argumentação do investigado ao sustentar que a substituição posterior de ativos não anula a irregularidade da negociação original. Para a autoridade policial, a prática envolveu a comercialização de carteiras sem a devida comprovação de lastro financeiro adequado, o que justifica a continuidade das apurações em curso.

Ao final do depoimento, o ex-banqueiro apelou por um voto de confiança das autoridades e solicitou a revogação de sua prisão preventiva. Ele argumentou que a análise do caso exige a avaliação completa dos acontecimentos e pediu para aguardar o desdobramento das investigações em liberdade para evitar o que classificou como uma injustiça prolongada.

Fonte: poder360.com.br

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