Cidades

Stiglitz vê recessão e alta da desigualdade no Brasil caso Flávio Bolsonaro vença a eleição

O economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, avalia que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas pode trazer ameaças significativas para a economia nacional. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo nesta quinta-feira, 22, o especialista destacou que o programa do candidato pode gerar retração no Produto Interno Bruto, acentuar a desigualdade social e estrangular investimentos públicos essenciais.

A projeção pessimista contrasta com o otimismo demonstrado por investidores e agentes financeiros logo após o primeiro turno das eleições. Na ocasião, Flávio fechou a etapa com vantagem de 1,87 ponto percentual sobre o presidente Lula da Silva (PT), o que levou o dólar a recuar para R$ 5 e a bolsa a bater 206 mil pontos impulsionada por expectativas de rigor fiscal.

Impactos da austeridade fiscal e do corte de gastos

Para Stiglitz, o entusiasmo do mercado ignora os efeitos colaterais de uma política voltada estritamente à redução de despesas e alívio tributário para as elites. O economista argumenta que cortes drásticos nos gastos públicos sufocam a atividade econômica e recaem de forma mais pesada sobre os trabalhadores.

Além disso, o especialista pontua que a manutenção de benefícios previdenciários pode concentrar o peso dos ajustes sobre programas sociais e serviços voltados às camadas de menor renda. Áreas fundamentais como infraestrutura, tecnologia e educação também estariam sob risco, comprometendo a competitividade de longo prazo do país.

Críticas ao mercado e avaliação sobre o governo atual

Durante a conversa, Stiglitz criticou a visão imediatista dos investidores, que priorizam ganhos de curto prazo em detrimento da estabilidade socioeconômica. Ele defendeu que o desempenho econômico positivo sob a gestão de Lula deveria receber maior reconhecimento dos agentes financeiros.

Apesar disso, o Nobel apontou que os juros elevados continuam sendo um entrave severo para o avanço do Brasil. Segundo o especialista, o alto custo da dívida pública pressiona as contas nacionais e impede a ampliação de crédito acessível para empresas e cidadãos.

Preocupações democráticas e autonomia geopolítica

No campo institucional, Stiglitz reiterou os temores expressos anteriormente em um manifesto publicado no jornal francês Le Monde. Para ele, as ameaças às instituições democráticas brasileiras devem ser tratadas com extrema seriedade por toda a sociedade.

O economista também comentou as relações exteriores, advertindo sobre os riscos de uma aproximação excessiva com os Estados Unidos sob a influência de tarifas comerciais impostas por Donald Trump. Stiglitz alertou que ceder a pressões estrangeiras poderia prejudicar laços comerciais vitais com a China, exigindo do Brasil firmeza na defesa de sua autonomia externa.

Trajetória e histórico acadêmico de Joseph Stiglitz

Aos 83 anos, Joseph Stiglitz consolidou sua reputação internacional como professor da Universidade Columbia e crítico ferrenho da desregulamentação financeira e da austeridade rígida. Ele recebeu o prêmio máximo da economia mundial em 2001 por estudos sobre assimetria de informações e acumulou experiência como economista-chefe do Banco Mundial.

Fonte: jornalopcao.com.br

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