POLÍCIA

Candidatos disputam espaço e acusam big techs de manipulação em algoritmos eleitorais

O alcance de conteúdos políticos e o funcionamento dos algoritmos passaram a ocupar o centro do debate eleitoral, impulsionado pela tese de que as plataformas digitais atuam para favorecer candidatos específicos em detrimento de adversários. A campanha petista acusa a Meta de impor restrições que prejudicam a distribuição de suas publicações, ao mesmo tempo que mecanismos da empresa ampliariam a visibilidade da oposição.

Mensagens internas da companhia obtidas pela imprensa registram funcionários discutindo problemas que afetaram contas de Lula e a recomendação indevida de perfis ligados a Flávio Bolsonaro. Em outra frente, levantamentos apontam que vídeos de apoiadores como Nikolas Ferreira alcançam, em média, mais visualizações do que publicações de celebridades internacionais.

Mensagens internas revelam falhas e restrições na plataforma

Em outubro, a campanha petista ficou impedida de impulsionar publicações já feitas no feed de Lula durante quase um dia inteiro. A equipe ainda conseguia veicular anúncios que não apareciam no perfil público e manter campanhas anteriores em circulação, mas perdeu a capacidade de pagar para ampliar o alcance de conteúdos existentes. Estima-se que mais de um milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios no período.

Nos diálogos revelados, funcionários da empresa afirmavam que a conta de Lula estava limitada em comparação com a de Flávio Bolsonaro e mencionavam o risco de ações judiciais. Outro episódio ocorreu no sistema de buscas do Instagram, onde o perfil do senador aparecia entre as sugestões enquanto o do presidente não era exibido nem após digitação direta, erro reconhecido internamente pelos colaboradores.

Diferenças de desempenho e alcance de figuras públicas

A discussão sobre o alcance das publicações também abrange parlamentares e influenciadores digitais fora das contas oficiais dos candidatos. Um relatório analisou o desempenho de vídeos no Instagram e identificou uma discrepância expressiva entre o volume de visualizações de determinados congressistas e o de personalidades globais com imensas bases de seguidores.

Os dados demonstraram que conteúdos de parlamentares bolsonaristas superaram a marca de visualizações de artistas internacionais consagrados. Especialistas e organizações pretendem encaminhar os achados aos órgãos competentes para que as plataformas esclareçam os mecanismos de distribuição e recomendação de conteúdo.

Medidas judiciais e regulamentação do impulsionamento

Representantes da empresa reuniram-se com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral para debater o assunto, enquanto decisões liminares da justiça proibiram a aplicação de medidas de redução de alcance ou restrição de busca contra os principais postulantes ao cargo máximo do executivo nacional.

Pela legislação brasileira vigente, as big techs estão proibidas de recomendar perfis e canais oficiais de candidatos de forma orgânica por meio de algoritmos. O impulsionamento pago contratado diretamente pelas equipes de campanha permanece como uma das ferramentas permitidas para ampliar a propaganda eleitoral na internet.

Fonte: cartacapital.com.br

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