Eleitores de baixo engajamento serão o fiel da balança nas eleições, aponta especialista
A definição do próximo presidente da República, com a possibilidade de resolução ainda no primeiro turno, dependerá fundamentalmente de um segmento específico do eleitorado brasileiro. Segundo o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi, o desfecho do pleito será ditado pelos chamados “eleitores dos três Bs”: aqueles caracterizados pelo baixo interesse, baixa informação e baixo envolvimento com a política.
Em entrevista à CartaCapital, Coimbra destaca que esse grupo foi o responsável por moldar o desempenho eleitoral em disputas anteriores. A análise indica que, embora as pesquisas de intenção de voto apontem cenários de polarização, a decisão final desses cidadãos, que geralmente não acompanham o debate público de forma constante, permanece como a variável mais imprevisível para o resultado das urnas.
O peso do eleitor desinteressado na decisão das urnas
O perfil do eleitor dos “três Bs” é composto por pessoas que, apesar de não demonstrarem familiaridade com temas técnicos ou administrativos, como o funcionamento do Poder Legislativo, sentem o dever cívico de comparecer às urnas. Coimbra ressalta que esse contingente representa cerca de 40% da sociedade brasileira e não possui vínculo direto com ideologias partidárias.
Diferente de eleitores engajados, esse grupo toma sua decisão na reta final. O sociólogo argumenta que o crescimento de nomes como o de Bolsonaro em pleitos passados não se deu por uma adesão ideológica profunda, mas pela movimentação desse eleitorado que, ao decidir votar, acaba por consolidar números que as pesquisas nem sempre conseguem captar com precisão absoluta.
Limitações das pesquisas e a polarização consolidada
A dinâmica atual das eleições brasileiras mostra uma tendência de travamento entre dois nomes principais, com os candidatos que ocupam a terceira posição ou inferior apresentando dificuldades para crescer. Para o especialista, a ausência de um nome de centro-esquerda com viabilidade eleitoral real reforça a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Coimbra observa que a proliferação de pesquisas eleitorais, embora seja uma ferramenta de análise, possui função cada vez mais limitada na antecipação do comportamento desse eleitor de baixa informação. O cenário de 2022 serve como exemplo, onde o resultado das urnas divergiu de parte das expectativas projetadas pelos levantamentos realizados nas semanas que antecederam o dia da votação.
Debates e a estratégia de campanha
Sobre a participação em debates televisivos, como o da TV Globo, o sociólogo avalia que a presença de candidatos favoritos é uma questão estratégica. Ele argumenta que, em um ambiente de alta polarização, o debate pode ser utilizado apenas como um palanque para figuras de menor expressão social, que buscam visibilidade através de ataques e desrespeito aos adversários.
Para Coimbra, a exposição a esse tipo de confronto, sem um ganho substantivo para o debate democrático, pode ser vista como desnecessária para quem lidera as intenções de voto. A decisão de comparecer ou não a esses fóruns reflete, portanto, uma avaliação sobre o custo-benefício de dar palco a oponentes que, segundo ele, não apresentam propostas consistentes para o país.
Fonte: cartacapital.com.br