Entidades goianas pressionam por criação de Secretaria de Estado do Turismo
Um grupo representativo do setor turístico em Goiás formalizou uma Carta Aberta endereçada ao governador Daniel Vilela (MDB), pleiteando a criação de uma Secretaria de Estado do Turismo. O movimento, que reúne associações, empresários, pesquisadores e acadêmicos, busca conferir maior protagonismo institucional à pasta, defendendo a necessidade de autonomia administrativa, orçamento próprio e uma gestão pautada por critérios técnicos.
A articulação conta com o apoio de instituições como a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Goiás (ABIH-GO), a Associação Brasileira de Agências de Viagens de Goiás (ABAV-GO), o Goiânia Convention & Visitors Bureau, a Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR) e o Sindicato dos Guias de Turismo do Estado de Goiás. O objetivo central é elevar o turismo ao patamar de pilar estratégico para o desenvolvimento econômico, social e cultural do estado.
Potencial econômico e a vocação turística de Goiás
Os dados atuais reforçam a relevância do setor para a economia regional. Segundo informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE, Goiás consolidou-se como o oitavo destino mais visitado do Brasil durante 2024. O estado registrou 741 mil viagens, gerando um impacto de R$ 906 milhões em gastos diretos, o que corresponde a 3,7% da atividade econômica analisada no período.
A vocação natural do território goiano é um dos principais atrativos. Cerca de 33,9% dos visitantes buscam experiências voltadas ao ecoturismo, natureza ou aventura. Esse perfil de demanda é atendido por destinos de relevância internacional, como a Chapada dos Veadeiros, reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, além de diversas outras regiões do interior que possuem potencial para expansão.
Críticas à gestão atual e retrocesso institucional
Fernanda Cury, presidente do Goiânia Convention Bureau e vice-presidente do Conselho Empresarial de Turismo da Fecomércio Goiás (CETUR/GO), aponta que a ausência de uma secretaria dedicada prejudica o planejamento de longo prazo. Segundo a dirigente, a estrutura atual limita a capacidade de promoção internacional e a atração de investimentos, resultando na perda de participação em feiras e eventos estratégicos para a divulgação do estado.
A Carta Aberta destaca pontos críticos sobre a condução da Goiás Turismo, citando a ausência da instituição na Expo Turismo Goiás e a substituição de equipes técnicas por perfis sem experiência reconhecida no setor. O documento enfatiza que a redução da presença em feiras nacionais e a interrupção de campanhas estruturadas não derivam de impedimentos legais, mas de escolhas administrativas que, segundo os signatários, configuram um retrocesso em um momento de crescimento do turismo brasileiro.
Fonte: jornalopcao.com.br