POLÍCIA

Novo método de diagnóstico da tuberculose simplifica exames e reduz custos

Uma inovação tecnológica desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete transformar o cenário do combate à tuberculose. O método, batizado de RRTB, simplifica o cultivo de amostras clínicas para o diagnóstico da doença, eliminando a necessidade de equipamentos complexos e caros, como centrífugas refrigeradas e cabines de segurança biológica. A tecnologia, que já recebeu carta-patente do INPI, tem potencial para descentralizar o atendimento e ampliar o acesso ao diagnóstico em regiões com menos recursos.

O projeto é fruto de uma colaboração estratégica entre a Embrapa, a UFJF e a Fhemig. A iniciativa surgiu durante o doutorado de Ronaldo Rodrigues da Costa na Faculdade de Medicina da UFJF, com orientação da professora Isabel Cristina Gonçalves Leite e do pesquisador Márcio Roberto Silva, da Embrapa Gado de Leite. Com a patente garantida e a validação em rotina laboratorial concluída, o Critt busca agora parceiros comerciais para viabilizar a distribuição em larga escala.

Inovação técnica no diagnóstico da tuberculose

O método tradicional de cultura bacteriana, conhecido como técnica de Petroff, é considerado o padrão-ouro para o acompanhamento do tratamento e identificação de resistência a medicamentos. Contudo, sua dependência de infraestrutura laboratorial avançada restringe a realização do exame a grandes centros urbanos. O RRTB supera essa barreira ao utilizar um swab para a descontaminação da amostra e uma solução neutralizadora exclusiva, composta por ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio.

Essa combinação permite o uso do meio Löwenstein-Jensen, que é a opção mais econômica e amplamente disponível no Brasil. Diferente de métodos anteriores, como o de Ogawa-Kudoh, a nova técnica não se limita a amostras de escarro. Ela é eficaz na análise de fluidos biológicos estéreis, como o líquido pleural e o líquor, tornando-se uma ferramenta versátil para laboratórios de pequeno porte e unidades de saúde rurais.

Validação científica e desempenho laboratorial

A eficácia do RRTB foi comprovada por meio de estudos rigorosos. Em um teste-piloto com 77 amostras, a técnica apresentou sensibilidade de 90,91% e especificidade de 94,34% em comparação ao método de Petroff. Além disso, a taxa de contaminação do cultivo foi reduzida para apenas 1,30%, um índice significativamente inferior aos 6,50% registrados em métodos convencionais.

A validação foi ampliada posteriormente em sete laboratórios de referência em Minas Gerais, totalizando 593 pares de amostras analisados. Os resultados confirmaram a alta confiabilidade do sistema, que atingiu o nível 8 na escala TRL (Nível de Maturidade Tecnológica). O processo contou com o suporte da Funed e financiamento da Fapemig, consolidando o método como uma solução pronta para ser incorporada à rotina clínica.

Abordagem de Saúde Única e impacto zoonótico

O RRTB também se destaca pela aplicação no conceito de Saúde Única, que integra a saúde humana, animal e ambiental. A tuberculose bovina, causada pela Mycobacterium bovis, representa um risco zoonótico significativo, podendo ser transmitida pelo consumo de leite cru ou derivados contaminados. Ao permitir o uso de meios de cultura adaptados, o novo método facilita o monitoramento dessa bactéria em rebanhos e alimentos.

O reconhecimento internacional da tecnologia reforça sua relevância. Em 2022, o estudo foi publicado em periódico científico e, em 2024, foi destacado pela Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene como uma das quatro principais inovações mundiais no combate à doença. Instituições interessadas em parcerias para transferência tecnológica podem contatar o Critt/UFJF pelo e-mail att.critt@ufjf.br.

Fonte: poder360.com.br

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