China critica sanções dos EUA a Cuba e defende soberania no Golfo na ONU

O vice-presidente da China, Han Zheng, utilizou a tribuna da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) neste sábado (26.set.2026) para tecer duras críticas à política externa norte-americana. Sem mencionar os Estados Unidos nominalmente, o representante chinês exigiu o fim imediato do bloqueio econômico imposto a Cuba e cobrou respeito à soberania das nações localizadas na região do Golfo.
O discurso de Han Zheng ocorreu em um momento de tensão diplomática, apenas um dia após o encerramento da visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, aos Estados Unidos. Durante o evento, o vice-presidente chinês enfatizou que as grandes potências globais possuem responsabilidades acrescidas na manutenção da paz e na observância estrita do direito internacional e da Carta da ONU.
Exigência pelo fim do bloqueio a Cuba
Durante sua fala, Han Zheng foi enfático ao demandar o encerramento das sanções que estrangulam a economia cubana. O vice-presidente chinês instou o país responsável pelas medidas a cessar o uso da força e as ameaças contra a ilha, classificando o bloqueio como uma barreira que deve ser levantada de forma total e imediata.
A situação em Cuba tornou-se crítica desde janeiro de 2026, quando os Estados Unidos restringiram severamente o fornecimento de petróleo ao país. A escassez de combustível tem provocado um colapso progressivo no fornecimento de energia elétrica, agravando a crise humanitária e social na ilha. Em resposta, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reiterou na mesma assembleia que o governo de Cuba permanece aberto ao diálogo para solucionar as divergências com Washington.
Soberania no Golfo e estabilidade global
Ao abordar o cenário no Oriente Médio, Han Zheng defendeu que a soberania e a segurança dos países da região do Golfo sejam preservadas. O vice-presidente chinês destacou a necessidade de manter as cadeias industriais e de suprimentos internacionais estáveis, alertando que o comércio global não deve ser utilizado como ferramenta de pressão política.
O posicionamento chinês ocorre em meio a um cenário de instabilidade, marcado pela recente rejeição do presidente norte-americano, Donald Trump, a uma proposta iraniana para a reabertura do estreito de Ormuz. Além disso, relatos diplomáticos indicam que Trump teria advertido Xi Jinping sobre o apoio chinês ao Irã, com o líder chinês assegurando, segundo fontes, que não prestaria auxílio ao governo iraniano.
Contexto diplomático após visita de Xi aos EUA
A postura crítica de Han Zheng na ONU contrasta com o tom conciliador adotado durante a visita de Xi Jinping a Washington, realizada entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026. Ao término das reuniões, o governo chinês informou que houve avanços em entendimentos sobre questões de comércio e inteligência artificial, conforme detalhado pela Casa Branca.
Apesar dos anúncios de cooperação, o discurso na ONU demonstra que as divergências estruturais entre Pequim e Washington permanecem profundas. A China continua a se posicionar como um contraponto à influência norte-americana, utilizando fóruns multilaterais para questionar a eficácia e a legitimidade das sanções unilaterais impostas pela administração de Donald Trump.