POLÍCIA

Ataques a historiadores reacendem debate sobre liberdade acadêmica no Brasil

O lançamento da obra História das Mestiçagens no Brasil, organizada pelos historiadores Mary del Priore e Gian Melo, tornou-se o epicentro de uma intensa controvérsia no ambiente intelectual brasileiro. O livro, publicado pela Editora Unesp, reúne 17 ensaios que analisam a formação social do país, mas a recepção da obra nas redes sociais foi marcada por ataques severos aos autores, levantando questionamentos sobre os limites da pesquisa acadêmica e a postura das instituições de ensino superior.

Tensões ideológicas e o controle da pesquisa

A repercussão negativa do livro incluiu acusações de que a mestiçagem não deveria ser objeto de estudo acadêmico contemporâneo. Críticos da obra alegaram que os autores estariam protegidos por um suposto pacto de branquitude, sugerindo que o tema seria inadequado para as discussões atuais sobre negritude e relações raciais. A hostilidade foi tamanha que, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro, encerrada no dia 13 de setembro, a historiadora Mary del Priore precisou de escolta de segurança para realizar suas sessões de autógrafos.

O silêncio institucional e a censura acadêmica

Em entrevista ao jornal O Globo, Mary del Priore denunciou o que classificou como um controle ideológico exercido por grupos de poder dentro das universidades. Segundo a pesquisadora, muitos acadêmicos optam pelo silêncio por medo de represálias de alunos e da exposição negativa em redes sociais. Ela manifestou estranhamento diante da postura das instituições, que, em sua visão, falham em defender a liberdade de cátedra diante de episódios de intolerância.

Defesa da pluralidade e combate ao racismo

A obra, que possui 567 páginas, propõe uma análise profunda sobre as raízes da formação brasileira, distanciando-se de abordagens puramente militantes. Os organizadores sustentam que o livro é um esforço sério de pesquisa e que, longe de fazer apologia ao racismo, a obra busca combatê-lo através da compreensão histórica. A Fundação Editora Unesp emitiu nota oficial condenando qualquer tentativa de silenciamento e manifestando solidariedade aos organizadores do volume.

Fonte: jornalopcao.com.br

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