MPT aciona Rico Melquíades na justiça por ameaça de demissão motivada por escolha política
O Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador digital Rico Melquíades, sob a acusação de prática de assédio eleitoral. O processo, que tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió, solicita uma indenização de 5 milhões de reais por danos morais coletivos, valor que, caso seja deferido, deverá ser revertido a fundos públicos ou projetos sociais.
Contexto da denúncia e a coação no ambiente laboral
A representação do órgão ministerial aponta que o influenciador teria coagido funcionárias domésticas devido a divergências políticas. Segundo a acusação, Rico Melquíades utilizou suas redes sociais, onde possui uma base de mais de 12 milhões de seguidores, para expor dados pessoais das trabalhadoras, configurando, segundo o MPT, uma violação direta à dignidade das profissionais.
O documento destaca que a conduta do réu foi caracterizada como abusiva e dolosa. O objetivo central, conforme aponta o Ministério Público, seria manipular ou direcionar o voto das colaboradoras em um contexto de disputa eleitoral, o que é vedado pela legislação trabalhista e eleitoral brasileira.
O vídeo que motivou a ação judicial
A peça processual baseia-se em um vídeo publicado pelo influenciador, no qual ele aparece ao lado de quatro mulheres. Na gravação, Rico Melquíades questiona as funcionárias sobre quem seria o responsável pelo pagamento de seus salários e indaga sobre suas preferências político-partidárias.
Ao identificar que uma das mulheres declarou voto no PT, o influenciador afirma repetidamente que ela estaria demitida, ordenando que a mesma recolhesse seus pertences. O episódio gerou repercussão imediata e levou o Ministério Público Eleitoral em Alagoas a instaurar um procedimento próprio para apurar a possível prática de coação eleitoral.
Defesa e histórico do influenciador
Após a repercussão negativa, o influenciador publicou um vídeo pedindo desculpas a trabalhadores que pudessem ter se sentido ofendidos. Na ocasião, ele alegou que as mulheres presentes na gravação seriam suas familiares e que teriam consentido com a exposição. Ele afirmou ainda ter consciência de sua responsabilidade com as leis vigentes.
Este não é o primeiro envolvimento de Rico Melquíades em polêmicas jurídicas. O influenciador, que venceu a 13ª edição do reality show A Fazenda, já foi investigado pela Polícia Civil de Alagoas por suposta participação em organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro de apostas ilegais. Em maio do ano passado, ele confessou práticas ilegais relacionadas à divulgação de casas de apostas e firmou um acordo para pagar 1 milhão de reais em multa para encerrar as investigações.
Fonte: cartacapital.com.br