Cidades

Sífilis avança em Goiás com quase 8 mil casos registrados apenas em 2026

O estado de Goiás enfrenta um cenário preocupante em relação ao controle da sífilis. Segundo dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), foram contabilizados 7.783 casos da infecção apenas no decorrer de 2026. O perfil epidemiológico aponta que 62,89% das notificações concentram-se no público masculino, enquanto as mulheres representam 37% dos registros totais.

A situação ganha contornos de urgência devido ao aumento expressivo da transmissão vertical. Somente neste ano, o sistema de saúde notificou 2.613 casos em gestantes e 482 registros de sífilis congênita, condição na qual a bactéria é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto. Entre os casos congênitos deste ano, já foi contabilizado um óbito, reforçando a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

Prevalência masculina e desafios no diagnóstico

Embora a oferta de testes rápidos nas unidades de saúde tenha ampliado a capacidade de detecção, especialistas alertam que o crescimento dos números não pode ser atribuído apenas ao diagnóstico. Ana Paula Vieira de Deus, coordenadora de Apoio Estratégico em Atenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) da SES-GO, aponta que a falta de informação sobre prevenção, o início precoce da vida sexual e a dificuldade em garantir o tratamento das parcerias sexuais são fatores críticos para a manutenção da cadeia de transmissão.

A faixa etária mais atingida permanece entre 20 e 35 anos, mas o monitoramento da Secretaria também se volta para públicos fora desse espectro. Em 2026, foram identificados 127 casos em crianças de 10 a 14 anos. Em casos envolvendo menores de 14 anos, o protocolo de saúde exige uma investigação rigorosa, uma vez que a legislação brasileira classifica qualquer atividade sexual nessa faixa etária como violência, independentemente de consentimento.

Impactos da sífilis em gestantes e riscos congênitos

O histórico recente revela uma tendência de alta persistente. Entre 2021 e julho de 2026, Goiás somou 17.319 casos em gestantes e 2.743 de sífilis congênita. A taxa de detecção em gestantes saltou de 27,7 para 43,5 casos por mil nascidos vivos no período entre 2021 e 2025. A gravidade da doença reside em sua capacidade de causar danos irreversíveis ao organismo, mesmo após a eliminação da bactéria pelo tratamento medicamentoso.

A infecção pode comprometer órgãos vitais como coração, cérebro e ossos, com manifestações que podem surgir até 40 anos após o contágio inicial. No caso da sífilis congênita, as consequências para o recém-nascido incluem cegueira, surdez, prematuridade e comprometimento ósseo severo. O acompanhamento rigoroso do pré-natal, conforme destacado pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, permanece como a principal estratégia para evitar que a infecção materna atinja o feto.

Cenário epidemiológico na capital

Goiânia reflete a tendência estadual com números expressivos. A Secretaria Municipal de Saúde da capital registrou, até o momento em 2026, 2.642 casos de sífilis adquirida e 130 casos de sífilis congênita. A concentração de casos em áreas urbanas densas exige estratégias de busca ativa e conscientização contínua para interromper a disseminação da bactéria na população.

Fonte: jornalopcao.com.br

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