Conheça a história do Clube do Servidor que virá o Senado Cultural
O histórico Clube do Servidor, localizado às margens do lago Paranoá, em Brasília, passa por uma ampla revitalização para abrigar o futuro Senado Cultural. Com uma vasta área de 80.000 m², o complexo arquitetônico carrega décadas de transformações políticas, culturais e sociais na capital federal, unindo o passado de lazer da população ao novo papel institucional.
O projeto original começou a ser desenvolvido em 1973 pelo engenheiro civil e arquiteto Armando Favato. A concepção inicial previa atender apenas os funcionários do Ministério da Educação e Cultura, mas uma determinação presidencial ampliou o escopo para todos os servidores públicos da capital. Inaugurado em 1976 como Clube do Servidor Civil, o local contava com salões, piscinas e quadras poliesportivas, recebendo grandes shows e eventos nas décadas seguintes.
Mudanças de gestão e abandono do espaço
Ao longo dos anos 1990, o complexo enfrentou sucessivas trocas de administração e viu seu fluxo de frequentadores diminuir gradativamente, culminando no fechamento definitivo ao público em 1997. O isolamento prolongado provocou forte degradação das instalações, gerando danos estruturais e perda de elementos decorativos originais ao longo das gestões seguintes.
Em 2009, a gestão foi repassada para a Advocacia Geral da União e o Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário, com planos de criar uma escola e um clube privativo. O local também abrigou edições de eventos de arquitetura e serviu como locação para produções cinematográficas brasileiras durante curtos períodos de cessão temporária.
Recuperação e preservação arquitetônica
Um convênio firmado em 2018 destinou oficialmente o terreno ao que seria o Centro Cultural dos Poderes da União, sendo posteriormente repassado exclusivamente ao Senado Federal. As equipes de engenharia iniciaram um complexo trabalho de limpeza e recuperação para reverter o cenário de depredação, que incluía cabos arrancados e louças sanitárias removidas das paredes.
O planejamento da reforma busca preservar elementos icônicos concebidos por Armando Favato, a exemplo da fachada principal marcada por colunas brancas em formato de elipse. Os técnicos também trabalham na restauração de pisos de mármore rosa nas varandas e na recuperação de um antigo reservatório de água e de dois espelhos d’água encontrados soterrados durante as intervenções.
Cronograma de etapas e modernização
As obras estruturais foram divididas em quatro fases distintas para contemplar blocos administrativos, expositivos, o Espaço da Democracia, o Espaço Brasília e o Bloco Educativo. A primeira etapa tem conclusão prevista para dezembro, a mesma data planejada para a abertura oficial do Senado Cultural ao público.
Enquanto a área externa ganha projetos de paisagismo com anfiteatro e quadras esportivas, os salões internos recebem modernas tecnologias de climatização, tratamento acústico e sistemas de combate a incêndio. O antigo salão de baile dará lugar a galerias de exposições rotativas, estreando com a mostra comemorativa “Senado em Movimento: 200 anos de história”.
Fonte: poder360.com.br