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Robótica e Inteligência Artificial avançam na medicina brasileira

Durante décadas, o cinema de ficção científica imaginou um futuro em que humanos e robôs dividiriam o mesmo espaço. Hoje, essa realidade já se desenha, especialmente no campo da tecnologia voltada para a saúde. Na medicina, a robótica tem transformado o modo como cirurgias são realizadas, garantindo procedimentos mais precisos, menos invasivos e com melhor recuperação para os pacientes. A expansão desse avanço depende agora da superação de desafios técnicos, estruturais e de acesso.

Restrita a poucos centros médicos no país, quase todos na rede privada, a técnica está presente no Brasil há 17 anos, com o primeiro procedimento realizado em 2008. De lá para cá, a cirurgia robótica tem crescido de forma exponencial no País.

Segundo dados da Intuitive Surgical, fabricante do robô Da Vinci, o mais utilizado no mundo, já foram realizados mais de 15 milhões de procedimentos robóticos em mais de 70 países, com índices de segurança superiores aos de outras vias de acesso. Além deste modelo, o país conta com outros dois robôs: o Versius, da britânica CMR Surgical, e o Hugo, da americana Medtronic. Ambos chegaram no ano de 2022.


Leonardo Emílio, médico cirurgião em operação robótica
(Foto: Einstein Goiânia)

Regulamentadas em 2022 pelo Conselho Federal de Medicina (2022), cirurgias realizadas com robótica devem ser realizadas em hospitais capacitados para atender casos de alta complexidade. Mais do que isso, os cirurgiões precisam passar por uma capacitação para essas intervenções. 

Do ponto de vista técnico, o cirurgião controla braços robóticos com movimentos delicados e altamente filtrados, eliminando tremores naturais da mão humana. O sistema também oferece uma visão ampliada em alta definição e em três dimensões, o que permite identificar, com clareza, estruturas anatômicas complexas e operar com mais segurança.

A expectativa é que esses sistemas e acessórios devem atingir US$ 30,7 bilhões globalmente até 2030, registrando uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 10%, estima a GlobalData, uma empresa de dados e análises.

O professor Celso Camilo, docente do Instituto de Informática da Universidade Federal de Goiás (Inf/UFG) e membro fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia/UFG), afirma que, apesar das dificuldades das máquinas interagirem com o mundo  físico, descobertas recentes permitiram um salto de performance em sistemas robóticos. “Seja na área médica ou não, veremos muito mais robôs conosco nos próximos anos. A tendência é que façam desde tarefas simples às mais complexas, como no caso de cirurgias, por exemplo”, diz o cientista em entrevista à reportagem do jornal

Na medicina, o pesquisador afirma que os benefícios podem ser inúmeros, quando se calcula principalmente maior precisão. Neste sentido, o robô atua como auxiliar do profissional médico e, com isso, o paciente é o maior beneficiado por reduzir os riscos das intervenções e ter disponível novos tratamentos que não seriam possíveis antes.


Celso Camilo, professor e doutor em IA (Foto: Sérgio Paiva/A Redação)

Celso Camilo ainda avalia que a Inteligência Artificial (IA), seja embarcada em robôs físicos ou em softwares, se consolida com um papel preponderante na ‘nova medicina’. “Os avanços recentes estão tornando os diagnósticos e tratamentos ainda mais precisos e trazendo novas perspectivas para lidar com patologias complexas. Em breve todas as especialidades da medicina devem interagir com IA para melhor atender os pacientes”, ressalta.

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