Renan Santos aponta impacto do capitalismo nas tradições familiares
O candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, trouxe à tona uma reflexão crítica sobre os efeitos do sistema econômico vigente nas estruturas sociais brasileiras. Em entrevista concedida neste sábado (3.out.2026) ao podcast Iron Talks, o presidenciável argumentou que o capitalismo, ao priorizar a produtividade e a aceleração do cotidiano, acabou por erodir práticas tradicionais de convivência, com foco especial no jantar em família.
Transformação dos hábitos e a desterritorialização social
Para Renan Santos, que se posiciona como o representante da direita na disputa de 2026, a análise do capitalismo deve transcender a simples métrica de geração de riqueza. O candidato descreveu o sistema como uma “caixa de Pandora”, capaz de impulsionar o progresso material enquanto desmantela laços afetivos e modos de vida ancestrais. Segundo ele, a industrialização alterou profundamente a relação do indivíduo com o trabalho e o ambiente doméstico.
O candidato utilizou conceitos filosóficos para embasar sua tese, recorrendo aos pensadores franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari. Ao aplicar a ideia de “desterritorialização”, Renan explicou como o sistema capitalista retira práticas de seus contextos originais e as reorganiza sob novas lógicas de consumo. O que antes era visto como um momento quase sagrado de reunião familiar no século 19, hoje é frequentemente substituído por uma rotina solitária e desconectada.
Mudanças no mercado de trabalho e o contexto pós-guerra
A argumentação de Renan Santos também abrangeu as mudanças estruturais ocorridas no pós-guerra, período que, segundo ele, inaugurou um novo estilo de vida ocidental. O candidato destacou a maior inserção das mulheres no mercado de trabalho e nas universidades como um fator determinante para a reconfiguração da dinâmica familiar. Para ilustrar essa transição cultural, ele mencionou a obra On the Road, de Jack Kerouac, que sintetiza a busca por liberdade e a quebra de costumes tradicionais.
Ao abordar a influência do sistema sobre a cultura, o presidenciável também citou o teórico britânico Mark Fisher, autor de Realismo Capitalista. A referência a Fisher reforça a visão de que o capitalismo não apenas organiza a economia, mas molda a subjetividade humana, tornando difícil imaginar alternativas ao modelo atual. A fala de Renan busca provocar uma reflexão sobre o custo social do desenvolvimento econômico acelerado.
Fonte: poder360.com.br