PT nega tratativas sobre aval federal ao BRB e endurece críticas à gestão de Celina Leão
O Partido dos Trabalhadores (PT) emitiu uma nota oficial neste sábado (19.set.2026) refutando categoricamente a existência de qualquer negociação entre a União e o governo do Distrito Federal para a concessão de um aval federal ao Banco de Brasília (BRB). O posicionamento do partido surge como uma resposta direta à governadora Celina Leão (PP), que anunciou a intenção de acionar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após declarações do petista sobre a crise financeira que atinge a instituição bancária.
Impedimentos objetivos e a negativa de socorro financeiro
Segundo o PT, a postura do governo federal permanece inalterada desde o início das discussões sobre o banco. O partido sustenta que a União não concederá garantias à operação por entender que o cenário atual do BRB possui origem em investigações criminais e que o Distrito Federal apresenta uma deterioração acentuada em sua capacidade de pagamento. A legenda enfatiza que tais impedimentos são objetivos e não dependem de disposição política ou negociações de bastidores.
A nota oficial destaca que as tratativas em curso envolvem exclusivamente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e instituições financeiras privadas. O partido acusa a governadora Celina Leão de tentar utilizar o Poder Judiciário para forçar a União a assumir o risco de uma operação que, segundo o PT, carece de transparência e solidez financeira.
Investigações sobre o Banco Master e a falta de transparência
O centro da controvérsia reside na aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito consideradas fraudulentas do Banco Master. Investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que o banco distrital transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Master entre dezembro de 2024 e maio de 2025, ignorando alertas técnicos e pareceres contrários de órgãos de controle. O ex-presidente do BRB chegou a ser preso por decisão do Supremo Tribunal Federal, sob suspeita de receber R$ 146,5 milhões em propina para viabilizar o negócio.
O PT ressalta que, desde o início das investigações, o BRB não publicou um balanço financeiro completo que demonstre a real situação patrimonial da instituição. O banco enfrenta, inclusive, multas que podem somar R$ 3 milhões devido ao atraso na divulgação dos balanços referentes ao ano de 2025. O partido questiona ainda a segurança dos cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais que estariam sob custódia do banco, cobrando maior responsabilidade da gestão distrital.
Conflito político e acusações de intimidação
A crise atingiu um novo patamar após o presidente Lula classificar a postura da governadora como “cínica e mentirosa”. Em resposta, Celina Leão afirmou que as críticas do presidente possuem um viés de gênero, sugerindo que o tom adotado por ele seria diferente caso o chefe do Executivo local fosse um homem. A governadora declarou que não aceitará qualquer tipo de intimidação nas negociações que envolvem o futuro do banco.
Em contrapartida, aliados da governadora contestam a versão do PT, alegando que houve um acordo homologado pelo STF no início de 2026 para viabilizar o fortalecimento do capital do banco. A assessoria de imprensa de Celina Leão optou por não comentar especificamente os termos da nota petista. Para mais detalhes sobre o cenário econômico, consulte o Poder360.
Fonte: poder360.com.br