Prisão de Márcio Canella é fundamentada em risco à ordem pública e influência política
A prisão preventiva do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), decretada nesta quinta-feira (15), marca um desdobramento crítico na Operação Unha e Carne. A decisão, assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta o parlamentar como peça central em uma complexa estrutura de lavagem de dinheiro que utilizava uma rede de postos de combustíveis para movimentar recursos ilícitos.
Fundamentos da decisão e riscos à investigação
O ministro do STF justificou a medida cautelar destacando a posição de liderança político-institucional ocupada pelo investigado. Segundo a decisão, a influência de Canella sobre agentes públicos e a manutenção de vínculos com o crime organizado representam um risco concreto à instrução criminal e à eficácia da persecução penal. O magistrado enfatizou que a liberdade do deputado poderia comprometer a coleta de provas e a continuidade das apurações.
Indícios de movimentações financeiras e anotações
As investigações da Polícia Federal trouxeram à tona evidências documentais significativas, incluindo anotações manuscritas que associam o nome do político à distribuição de valores provenientes do esquema criminoso. Além disso, a análise financeira identificou transferências de aproximadamente 1,4 milhão de reais realizadas entre maio de 2025 e abril de 2026 pela empresa Brumar Empreendimentos e Participações, da qual o deputado é sócio, sem que a origem primária do montante fosse devidamente comprovada.
Influência em cargos estratégicos e contexto da operação
A apuração aponta que a rede empresarial investigada teria movimentado mais de 7,6 bilhões de reais ao longo de seis anos. O relatório da PF sugere que Canella teria atuado na indicação de nomes para cargos estratégicos na administração pública fluminense, incluindo a ascensão de Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, a postos de direção. O objetivo seria garantir que a presença de agentes públicos em funções-chave favorecesse os interesses da organização criminosa.
A oitava fase da Operação Unha e Carne resultou no cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas, majoritariamente postos de combustíveis, visando desarticular o núcleo financeiro do grupo criminoso que operava no Rio de Janeiro.
Fonte: cartacapital.com.br