PT aciona Justiça Eleitoral contra suposta milícia digital ligada a Orleans Brandão
A coligação que sustenta a candidatura de Felipe Camarão (PT) ao governo do Maranhão ingressou com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA) acusando a campanha de Orleans Brandão (MDB) de utilizar uma estrutura organizada de “milícia digital” para promover sua imagem. O processo, em tramitação desde 16 de setembro, aponta indícios de abuso de poder político e econômico, sustentando que perfis nas redes sociais teriam sido operados a partir de conexões vinculadas à estrutura estatal.
Documentos fornecidos pela Meta à Justiça Eleitoral indicam que registros de acesso de contas ligadas à promoção de Orleans Brandão foram realizados através de endereços de IP atribuídos à rede da Secretaria de Estado de Governo (SEGOV). A denúncia, detalhada pela CartaCapital, sugere que a operação funcionaria com moldes empresariais, utilizando perfis padronizados para simular um apoio popular espontâneo que, na visão da acusação, seria na verdade uma estratégia coordenada e não declarada aos órgãos de controle.
Investigação sobre o uso de recursos estatais na campanha
O cerne da acusação reside na utilização de endereços de internet vinculados a órgãos públicos para a criação e gestão de perfis no Instagram, como @suldomacomorleans e @juventudecomorleans. Segundo a petição, essas contas teriam sido acessadas em horários específicos a partir de IPs da SEGOV, levantando questionamentos sobre a legalidade do uso de infraestrutura do governo em prol de uma candidatura específica ao Palácio dos Leões.
A coligação petista argumenta que a existência de uma rede composta por centenas de perfis, muitos criados pouco antes do período eleitoral, configura uma estrutura paralela de propaganda. Entre junho de 2025 e agosto deste ano, a campanha de Camarão contabilizou mais de 46 mil publicações relacionadas a esse ecossistema, o que, para os advogados, afasta a tese de manifestação orgânica de eleitores e aponta para um esquema de custos ocultos.
Pedidos de quebra de sigilo e suspensão de perfis
Diante do cenário apresentado, a representação solicita ao TRE-MA a suspensão imediata de 133 contas que comporiam o núcleo central da suposta milícia digital. Além disso, a coligação requer a preservação de conteúdos publicados por influenciadores e perfis de veículos de comunicação, bem como a quebra do sigilo telemático das contas identificadas na “Rede Orleans”, fundamentando o pedido no Marco Civil da Internet e na Lei de Inelegibilidade.
O objetivo da medida, segundo a argumentação jurídica, é evitar que o eleitorado seja exposto a uma propaganda veiculada sob identidade falseada, o que poderia comprometer a lisura do pleito. A ação ressalta que o dano causado por essa estratégia se renova a cada nova postagem, e que uma decisão proferida apenas após o primeiro turno poderia ser insuficiente para reparar o desequilíbrio na disputa eleitoral.
Posicionamento do governo estadual
Em nota oficial, o governo do Maranhão informou que a Procuradoria-Geral do Estado ainda não foi notificada ou citada oficialmente sobre a ação judicial. O comunicado ressalta que, assim que o Estado receber a notificação, analisará os termos da demanda para apresentar as manifestações jurídicas cabíveis dentro dos prazos estabelecidos pela legislação vigente.
Fonte: cartacapital.com.br