Míssil inflável com apelo a Trump marca ato na avenida Paulista
Um protesto político realizado na avenida Paulista, em São Paulo, chamou a atenção no domingo (18) pela presença de uma alegoria inusitada. Durante o ato em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, manifestantes carregaram uma estrutura que gerou forte repercussão no cenário nacional.
A peça em questão consistia em um míssil inflável de cor branca, transportado por indivíduos vestidos com roupas em verde e amarelo. O objeto trazia gravada em destaque a frase em inglês “Trump nuke Brazil”, expressão direcionada ao presidente norte-americano Donald Trump que sugere um bombardeio atômico contra o território brasileiro.
Reações de parlamentares após o episódio em São Paulo
A aparição do artefato inflável provocou críticas imediatas nas plataformas digitais por parte de lideranças da esquerda. Parlamentares e integrantes do poder público manifestaram repúdio público à mensagem exibida pelos participantes do evento político.
O ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos (PSOL), classificou o ocorrido registrado em vídeo como “inacreditável” e uma “incedência”. No mesmo sentido, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) rotulou a ação como um “escândalo”, enquanto a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) usou o termo “vendidos” para se referir aos responsáveis pelo ato na capital paulista.
Histórico do uso de estruturas infláveis no debate nacional
O recurso visual com infláveis de grande escala integra manifestações populares no país há quase uma década, marcando diferentes momentos da conjuntura política.
- Em 2015, o Pato da Fiesp foi instalado em frente à sede da federação contra a elevação de tributos;
- No mesmo ano, o boneco Pixuleco passou a circular em protestos com alusões às investigações da Operação Lava Jato;
- Em 7 de setembro de 2021, um míssil verde e amarelo de cinco metros desfilou na própria avenida Paulista.
Na manifestação de 2021, a peça de formato fálico continha o lema oficial do Exército Brasileiro, “braço forte, mão amiga”, e seus idealizadores optaram por preservar a identidade em entrevista concedida à Folha de S.Paulo.
Discussões sobre a influência norte-americana no pleito
O episódio recente ocorre em meio a análises sobre eventuais interferências externas na disputa pela Presidência, que tem o segundo turno programado para o dia 25. O ex-mandatário Donald Trump já havia feito declarações apontando que acompanha o processo eleitoral brasileiro com atenção.
O contexto de campanha também foi marcado por controvérsias técnicas em ferramentas digitais. Nas semanas anteriores, a inteligência artificial da Meta apresentou disparidades ao recusar a geração de artes com mensagens de voto favoráveis a Lula, embora aceitasse demandas similares envolvendo o candidato do PL, além de instabilidades que afetaram o impulsionamento de publicações oficiais.
Fonte: dm.com.br