POLÍCIA

Goiás antecipa diretrizes nacionais com plano estratégico para o setor mineral

Goiás consolidou uma política mineral própria antes mesmo da sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), ocorrida em setembro deste ano. A iniciativa, articulada pela Secretaria de Indústria e Comércio, estruturou o Plano Estadual de Recursos Minerais (Perm), que estabelece diretrizes para pesquisa, inovação e agregação de valor aos recursos geológicos do estado.

O secretário Joel de Sant’Anna Braga destacou que o plano preenche uma lacuna de duas décadas no planejamento do setor. Segundo o gestor, o documento foi construído com base em mais de 40 audiências públicas e suporte técnico da Universidade Federal de Goiás (UFG), visando oferecer segurança jurídica necessária para atrair investimentos de longo prazo, com horizonte de atuação até 2050.

Segurança jurídica e planejamento estratégico para a mineração

O Plano Estadual de Recursos Minerais 2022–2042 funciona como um roteiro para o desenvolvimento econômico e tecnológico. Ao integrar o histórico da atividade mineradora no estado com as demandas atuais, o governo busca mitigar incertezas que historicamente afastavam investidores, garantindo que o potencial geológico goiano seja explorado de forma planejada e sustentável.

A estratégia não se limita à extração bruta. O governo estadual tem investido na criação de infraestrutura de pesquisa, como o Centro de Ciências e Tecnologia Mineral, que recebeu um aporte de R$ 28 milhões. A unidade atua no processamento mineral, com foco especial em terras raras e no desenvolvimento de remineralizadores de solo, fortalecendo a conexão entre a mineração e o agronegócio.

Expansão em terras raras e inovação agrícola

Goiás ocupa uma posição de destaque no cenário nacional ao abrigar a única operação comercial de terras raras em atividade no Brasil, situada em Minaçu. O estado também expande sua presença no setor com projetos em municípios como Nova Roma, onde o Projeto Carina está em fase de implantação, e Iporá, que recebe pesquisas da empresa Appia.

Complementando o ecossistema de inovação, o Programa Goiano de Remineralizadores, lançado em 2024, destina R$ 20 milhões para transformar resíduos minerais em insumos agrícolas. Esta política busca validar a eficiência agronômica desses materiais, promovendo uma economia circular que beneficia diretamente a produção rural goiana.

Institucionalização da gestão mineral estadual

A estrutura de governança do setor foi reforçada em agosto de 2025 com a criação da Autoridade Estadual de Minerais Críticos de Goiás (AMIC-GO), por meio da Lei Estadual nº 23.597. Regulamentada em junho de 2026, a entidade tem a função de coordenar políticas públicas voltadas aos minerais críticos e agrominerais.

A atuação da AMIC-GO é sustentada pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos. O mecanismo financeiro é fundamental para apoiar projetos de inovação tecnológica e o fortalecimento da cadeia produtiva, assegurando que o estado mantenha sua competitividade e protagonismo na transição energética e tecnológica global. Mais informações sobre o setor podem ser acompanhadas no portal oficial do Jornal Opção.

Fonte: jornalopcao.com.br

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