POLÍCIA

Memórias gráficas e a história de Goiânia marcam o livro póstumo de Carlos Rodrigues de Faria

O lançamento da obra Na linha bamba, de Carlos Rodrigues de Faria, durante a Bienal do Livro de São Paulo em setembro de 2026, resgata a trajetória de um dos profissionais que acompanhou de perto a evolução das artes gráficas e o desenvolvimento urbano de Goiânia. O livro, publicado pela Editora Labrador, chegou ao público poucos meses após o falecimento do autor, ocorrido em maio de 2026, em Brasília, aos 92 anos.

A trajetória nas artes gráficas e a construção de Goiânia

A narrativa de Carlos Rodrigues de Faria mescla relatos pessoais com o cenário histórico da capital goiana. Nascido em 1934 em uma fazenda no município de Luziânia, ele mudou-se para Goiânia ainda na infância, em 1937, vivenciando a formação da cidade. Em suas memórias, o autor descreve a vida simples no antigo bairro Botafogo, atual Setor Leste Universitário, e o contraste entre a escassez material e a convivência comunitária da época.

A carreira profissional de Carlos começou precocemente, aos 13 anos, como tipógrafo no jornal O Estado de Goiaz. O livro detalha o rigor técnico da profissão, marcada pelo manuseio de máquinas linotipo e o perigo constante da chumbada, quando o metal fundido espirrava durante o processo de composição noturna. Após passagens por veículos como a Folha de Goiaz, ele ingressou no Serviço Gráfico do Senado em 1965, onde atuou até sua aposentadoria em 1991.

Gênese do projeto e o resgate da memória familiar

O projeto editorial nasceu de um desejo antigo de Carlos de documentar a história de sua família. Segundo seu filho, o jornalista Adriano Faria, o autor começou a registrar textos sobre sua infância e episódios familiares que eram frequentemente compartilhados em reuniões. Inicialmente, o material foi impresso e encadernado de forma artesanal pelo próprio autor em 2013, sendo distribuído apenas entre parentes.

Foi somente no final de 2025 que a decisão de publicar a obra para o grande público foi tomada. O livro também explora temas profundos, como a busca por um antepassado do século XVII perseguido pela Inquisição Portuguesa e relatos sobre a passagem da Coluna Prestes pela região em 1925. Essas histórias, preservadas pela tradição oral, compõem um mosaico de resiliência que define a vida do autor.

A transição para a capital federal e o legado literário

A mudança para Brasília é outro ponto central da obra, onde Carlos relata as dificuldades de adaptação e o isolamento enfrentado na nova capital da República. Ao descrever sua transição profissional no Correio Braziliense, o autor reflete sobre as desigualdades culturais e regionais do período. O título Na linha bamba simboliza, segundo a família, o equilíbrio necessário para enfrentar os imprevistos da existência e as transformações sociais que ele presenciou ao longo de nove décadas.

A obra, que também está disponível para compra na Amazon, consolida o papel de Carlos Rodrigues de Faria não apenas como um técnico das artes gráficas, mas como um cronista atento das mudanças em Goiás e no Distrito Federal. O livro serve como um registro histórico que preserva a memória de um Brasil em transformação, sob a ótica de quem ajudou a imprimir as notícias que moldaram o país.

Fonte: jornalopcao.com.br

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