Nicolás Maduro e Cilia Flores enfrentam acusações de tortura em tribunal de Nova York
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes das novas acusações de tortura apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos. A audiência, realizada na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, no Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan, em Nova York, marca um desdobramento crítico no processo criminal que mantém o casal detido em território norte-americano desde janeiro do mesmo ano.
O casal já respondia anteriormente a processos por narcotráfico e posse ilegal de armas de fogo. A ampliação da denúncia, formalizada em 8 de outubro, introduz alegações graves de conspiração para a prática de tortura contra opositores políticos e cidadãos americanos, detalhando métodos como simulação de afogamento, espancamentos e violência sexual.
Contexto das acusações e o regime de detenção
A promotoria norte-americana sustenta que a estrutura de poder montada por Maduro utilizou a tortura como ferramenta sistemática para silenciar a dissidência e neutralizar adversários políticos. Documentos judiciais citam casos ocorridos desde 2013, incluindo a detenção de um oficial militar suspeito de planejar um golpe, que teria sido submetido a choques elétricos sob ordens diretas do então presidente.
Atualmente, Maduro e Flores permanecem sob custódia em uma penitenciária federal no Brooklyn. O regime de detenção é rigoroso, restringindo o acesso a meios de comunicação como internet e jornais, permitindo apenas contatos telefônicos monitorados com advogados e familiares. Maduro, que se autodeclara um “prisioneiro de guerra”, nega categoricamente a veracidade das imputações.
Impacto político e desdobramentos judiciais
A captura do casal ocorreu em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação militar em Caracas. Desde então, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela, enfrentando forte pressão diplomática da administração de Donald Trump. O secretário de Justiça dos EUA, Todd Blanche, reforçou que o governo mantém o compromisso de responsabilizar os envolvidos por crimes de narcoterrorismo e violações de direitos humanos.
O cronograma judicial estabelecido pelo tribunal prevê que o julgamento principal, focado nas acusações de narcotráfico, tenha início em 1º de junho de 2027. A expectativa é que o processo revele detalhes sobre a rede de influência e repressão que sustentou o governo venezuelano por mais de uma década. Para mais informações sobre o histórico de sanções e processos, consulte o portal oficial do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Fonte: cartacapital.com.br