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Lula defende Nossa Senhora Aparecida e critica André Valadão em comício no Pará

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou um comício realizado em Belém, no Pará, para reforçar seu posicionamento em defesa da liberdade religiosa e dos símbolos católicos tradicionais do Brasil. Durante o evento ocorrido na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, o chefe do Executivo segurou uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré e enviou um recado direto aos seus opositores políticos e a lideranças religiosas que o criticam.

A fala do presidente ocorre em um momento de alta temperatura política, onde temas ligados à fé e aos costumes ocupam o centro do debate público. Lula aproveitou a ocasião para rebater boatos que circulavam nas redes sociais e para reafirmar o compromisso do Estado com o respeito a todas as crenças, incluindo as religiões de matriz africana, defendendo que ninguém detém o monopólio da verdade espiritual.

Lula defende Nossa Senhora Aparecida e critica André Valadão

Em seu discurso, o presidente foi enfático ao declarar que, sob sua gestão, a imagem da padroeira do Brasil será preservada de qualquer tentativa de desqualificação. “Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém”, afirmou o petista perante a multidão. Ele defendeu que a convivência democrática exige o aprendizado do respeito mútuo entre as diferentes denominações religiosas presentes no país.

Lula também direcionou críticas severas ao pastor André Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha. O presidente classificou a instituição como “mentirosa” e mencionou a relação do líder religioso com o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A declaração marca um endurecimento do tom presidencial contra lideranças evangélicas que possuem forte alinhamento com a oposição política.

Demandas por apuração financeira e conduta ética

Além das questões religiosas, o presidente abordou temas relacionados à justiça e à moralidade pública. Ele mencionou ter transformado Daniel Vorcaro em um alvo de suas cobranças por transparência. Lula ressaltou que, embora o cargo de presidente não lhe permita atuar como juiz, ele tem a prerrogativa de reivindicar investigações rigorosas sobre o uso de recursos financeiros e condutas que considera inapropriadas.

O mandatário expressou o desejo de que as autoridades competentes realizem uma varredura nas instituições para apurar possíveis irregularidades. Segundo o presidente, é necessário que o povo brasileiro tenha conhecimento sobre quem teria desviado dinheiro ou participado de festas luxuosas no exterior. Para Lula, essa transparência é fundamental para que se possa realizar uma limpeza ética no cenário econômico e político nacional.

Embate com Flávio Bolsonaro sobre título de padroeira

O pano de fundo para as declarações de Lula foi uma polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Publicações nas redes sociais sugeriam que o parlamentar, candidato à Presidência, teria a intenção de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A notícia gerou forte reação em setores católicos e foi amplamente discutida durante a semana.

Flávio Bolsonaro negou veementemente as acusações durante um evento de campanha em Goiânia, no domingo, 27 de setembro. O senador atribuiu a autoria do boato ao PT e criticou a suposta participação de integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na propagação da informação. Ele afirmou que a verdade prevaleceria contra o que chamou de disseminação de notícias falsas orquestrada por adversários.

Posicionamento oficial da CNBB e encerramento do ato

A CNBB reagiu prontamente às declarações do senador, emitindo uma nota oficial na qual repudia a produção e utilização de informações falsas. A entidade esclareceu que não teve qualquer envolvimento na elaboração ou divulgação de boatos relacionados ao processo eleitoral de 2026. Após o esclarecimento, Flávio Bolsonaro agradeceu à instituição pela nota, classificando-a como esclarecedora e necessária para desmentir o boato.

O evento em Belém foi encerrado com um gesto simbólico de unidade regional. O governador do Pará e candidato ao Senado, Helder Barbalho (MDB), entregou a Lula a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, símbolo central do Círio. O gesto reforçou a aliança política entre o governo federal e o grupo político paraense em meio à disputa eleitoral.

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