Lindbergh Farias aciona STF para reabrir investigação contra Flávio Bolsonaro
O deputado Lindbergh Farias (PT) protocolou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a reabertura das investigações contra o senador Flávio Bolsonaro por suposto envolvimento em um esquema de corrupção nos Correios. O parlamentar requer que o caso seja redistribuído por sorteio, evitando que a relatoria retorne ao ministro Kassio Nunes Marques, responsável pelo arquivamento dos indícios em 2021.
As suspeitas surgiram originalmente no âmbito da Operação Postal Off, deflagrada pela Polícia Federal em Santa Catarina no final de 2018. O inquérito apurou um esquema que teria causado um prejuízo de ao menos 94 milhões de reais à estatal, operado por meio do subfaturamento de volumes de correspondências.
Indícios de propina e articulação política
A investigação policial reuniu áudios, telefonemas e gravações clandestinas que mencionam o nome de Flávio Bolsonaro como um possível facilitador para a nomeação de cargos estratégicos nos Correios. Em um dos registros, um empresário cita a oferta de “um barão por mês” em troca de influência política para a indicação da presidência da estatal.
Segundo os documentos, a articulação teria o apoio de Carlos Favoreto, então presidente do Campo Olímpico de Golfe do Rio de Janeiro. Áudios captados pela Polícia Federal sugerem que Favoreto teria levado a proposta ao senador, que teria demonstrado interesse no projeto. As menções ao parlamentar foram consideradas relevantes pela juíza Claudia Maria Dadico, da 7ª Vara Federal de Florianópolis, que remeteu os autos ao STF em abril de 2021.
O arquivamento e a contestação jurídica
Após o envio do caso ao Supremo, o então procurador-geral da República, Augusto Aras, manifestou-se pelo arquivamento, argumentando que não havia elementos suficientes para prosseguir com a apuração. O ministro Kassio Nunes Marques acolheu o parecer e determinou o encerramento do processo, sob sigilo de justiça, devolvendo o inquérito à primeira instância.
O novo pedido de Lindbergh Farias sustenta que o cenário probatório mudou. O petista cita a existência de um inquérito instaurado em 17 de setembro de 2025, derivado da CPI da Covid, que investiga o controle político de Flávio Bolsonaro sobre nomeações em hospitais federais do Rio de Janeiro. Para o deputado, essa nova investigação demonstra um padrão de conduta que invalida a tese de que as menções na Operação Postal Off seriam apenas “casuais”.
Pedido de novo relator no Supremo
A estratégia da defesa do petista inclui o pedido de sorteio de um novo relator para o caso. O argumento central é que o ministro Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se impedido de participar de julgamentos com impacto potencial nas eleições durante uma sessão da corte realizada em 15 de setembro. A petição busca garantir que a análise dos fatos ocorra sob uma nova perspectiva jurídica, considerando os desdobramentos recentes das investigações sobre o parlamentar.
Para mais detalhes sobre o histórico das apurações, consulte a reportagem original publicada pela CartaCapital.
Fonte: cartacapital.com.br