Justiça Eleitoral barra candidatura do PL ao governo de Sergipe
A Justiça Eleitoral oficializou, nesta quarta-feira 30, o indeferimento da candidatura de Ricardo Marques ao governo de Sergipe. A decisão, proferida pela juíza Brígida Declerc Fink, ocorre a apenas quatro dias do primeiro turno das eleições, deixando o PL sem representante na disputa pelo Poder Executivo estadual.
O impedimento jurídico foi motivado pela renúncia de Érico Menezes, que ocupava o posto de vice na chapa. Com a saída do empresário, a magistrada considerou inviável a manutenção da candidatura de Ricardo Marques, visto que o postulante não contava mais com um companheiro de chapa para compor o pleito, consolidando um cenário de instabilidade interna no partido.
Crise interna e divergências nas justificativas de renúncia
A saída de Érico Menezes foi cercada por contradições. Em comunicado público, o empresário alegou questões de saúde familiar como o motivo principal para abandonar a campanha. No entanto, o documento formal protocolado junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apresentou uma justificativa distinta, citando divergências profundas quanto ao propósito da candidatura.
Interlocutores próximos ao ex-candidato a vice sugerem que a renúncia foi fruto de uma articulação política externa. Segundo relatos, o governador Fábio Mitidieri (PSD), que busca a reeleição, teria atuado nos bastidores para enfraquecer a chapa do PL, visando evitar um eventual segundo turno contra Valmir de Francisquinho (Republicanos).
Impactos na disputa eleitoral e divisão do eleitorado
A presença de Ricardo Marques na corrida eleitoral era vista como um fator de fragmentação dos votos da direita. Com o vice-prefeito de Aracaju fora do páreo, a tendência é que o capital político do candidato seja redirecionado para Valmir de Francisquinho, com quem o jornalista já manteve alianças políticas no passado.
Dados da pesquisa Quaest, divulgada na semana anterior à decisão, indicavam que Ricardo Marques detinha 5% das intenções de voto. Enquanto isso, Valmir de Francisquinho aparecia com 34% e o atual governador Fábio Mitidieri liderava a disputa com 43%, evidenciando a importância estratégica de cada voto no campo oposicionista.
Divisão do PL e disputa por recursos de campanha
O desfecho da candidatura expôs uma crise estrutural no diretório estadual do PL. A falta de unidade ficou evidente durante a visita de Flávio Bolsonaro a Aracaju, no domingo 27, quando Ricardo Marques não recebeu menções públicas do presidenciável, sendo preterido em favor de outros nomes da legenda.
O conflito também envolve a distribuição desigual de verbas do fundo eleitoral. Enquanto Rodrigo Valadares e Moana Valadares receberam, somados, 6 milhões de reais, a campanha de Ricardo Marques ao governo contou com apenas 300 mil reais. A disparidade financeira e o isolamento político foram determinantes para o colapso da chapa, conforme apurado pela CartaCapital.
Fonte: cartacapital.com.br