Juros altos limitam eficácia da política industrial brasileira, avalia Abit
A manutenção de patamares elevados para a taxa de juros no Brasil tem atuado como um obstáculo crítico para o avanço do setor produtivo nacional. Segundo Fernando Pimentel, presidente emérito da Abit, o cenário financeiro atual inviabiliza os investimentos necessários para que a indústria alcance novos níveis de produtividade e competitividade global.
A declaração foi proferida nesta 4ª feira (30.set.2026) durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado em São Paulo. Para o executivo, mesmo as estratégias industriais mais bem estruturadas perdem sua potência quando confrontadas com o custo do capital no país, sendo imperativo o alinhamento entre a política monetária e um programa robusto de sustentabilidade fiscal.
Impacto dos juros na competitividade industrial
Pimentel enfatizou que a atual taxa de juros é impeditiva para o desenvolvimento de negócios que demandam aportes de longo prazo. A necessidade de modernização, que envolve qualidade e eficiência, fica comprometida quando o retorno financeiro dos projetos não consegue superar o custo do crédito disponível no mercado.
O dirigente defende que o Brasil necessita de uma taxa de juros compatível com a realidade do retorno dos investimentos. Sem essa convergência, o setor industrial enfrenta dificuldades para expandir sua capacidade produtiva e se manter relevante frente aos concorrentes internacionais.
O peso do Custo Brasil na produção nacional
Além da política monetária, o chamado Custo Brasil permanece como um entrave estrutural significativo. Dados citados por Pimentel indicam que o país enfrenta um sobrecusto anual de R$ 1,7 trilhão para produzir, quando comparado à média das nações que compõem a OCDE.
Esse diferencial competitivo coloca a indústria em uma posição de desvantagem crônica. Para o presidente emérito da Abit, a redução desse custo é uma condição necessária para que o setor consiga competir em igualdade de condições no mercado global.
Concorrência internacional e defesa comercial
O setor industrial brasileiro também lida com uma pressão crescente vinda do exterior, impulsionada pelos excedentes produtivos originários da Ásia e da China. Pimentel classificou a situação atual como um cenário onde a indústria nacional está sob ataque, exigindo medidas de proteção mais eficazes.
A proposta defendida pelo dirigente envolve a implementação de uma defesa comercial ágil e eficiente. Essa medida, aliada a uma política industrial focada na digitalização, no uso de inteligência artificial e na integração de cadeias produtivas, seria o caminho para modernizar o parque fabril brasileiro diante da reorganização geoeconômica mundial.
Fonte: poder360.com.br