Goiânia

Netanyahu classifica Brasil como pequeno país ao recordar posse de Bolsonaro

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, referiu-se ao Brasil como um “pequeno país” durante um discurso oficial realizado nesta quarta-feira (14). A declaração ocorreu em Jerusalém, durante a cerimônia de inauguração da embaixada da Colômbia, enquanto o premiê relembrava sua participação na posse do ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorrida em 2019.

Durante o evento, Netanyahu sinalizou a possibilidade de realizar uma nova visita ao território brasileiro, condicionando o gesto a uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). O parlamentar disputa o segundo turno das eleições contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em pleito marcado para 25 de outubro. “Fomos a um pequeno país chamado Brasil, para a posse do presidente Bolsonaro. Quem sabe? Talvez façamos isso novamente”, afirmou o líder israelense.

Contexto diplomático e histórico de viagens

A menção ao Brasil faz parte de uma retrospectiva feita pelo premiê sobre suas missões diplomáticas na América Latina. Ao lado da esposa, Sara Netanyahu, o governante recordou passagens por Colômbia, Argentina e México em 2017, seguidas pela ida a Brasília no ano seguinte para a transição de poder no governo brasileiro.

A fala atual ganha relevância devido à aproximação estratégica entre Netanyahu e o senador Flávio Bolsonaro. O parlamentar brasileiro tem defendido publicamente uma política externa alinhada a governos conservadores, manifestando, inclusive, o interesse em integrar o chamado Escudo das Américas, uma coalizão de segurança liderada pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump.

Críticas à esquerda e aliança global

Em seu pronunciamento, Netanyahu teceu críticas contundentes a gestões de esquerda na região, embora tenha evitado citar nomes específicos. O premiê atribuiu o afastamento diplomático entre Israel e nações latino-americanas à influência do que chamou de “aliança global woke”. Segundo ele, o surgimento de novos líderes em países como Argentina, México, Brasil e Colômbia teria desviado o curso das relações internacionais.

“Esses laços profundos acabaram se perdendo, sendo completamente desviados de seu curso. Tudo foi ladeira abaixo devido à aliança global woke”, declarou o premiê. Ele complementou sua análise afirmando que, apesar do cenário recente, acredita que algo extraordinário está ocorrendo na América Latina e que as relações bilaterais tendem a ser retomadas.

Deterioração das relações bilaterais

O cenário atual de distanciamento entre Brasil e Israel intensificou-se significativamente durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Em fevereiro de 2024, o presidente brasileiro comparou a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto, o que levou o governo de Benjamin Netanyahu a declarar o mandatário brasileiro como “persona non grata” em território israelense.

Como desdobramento da crise diplomática, o Brasil convocou o embaixador Frederico Meyer para consultas, que posteriormente foi transferido para outras funções. Atualmente, a representação brasileira em Tel Aviv é conduzida por um encarregado de negócios, refletindo o momento de instabilidade nas relações entre os dois Estados. Mais informações podem ser consultadas no portal Tribuna do Planalto.

Fonte: tribunadoplanalto.com.br

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