Aparecida de Goiânia

Inflação oficial supera expectativas e atinge 0,82% em setembro

A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,82% em setembro. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representa o maior patamar mensal desde março de 2026, quando o índice atingiu 0,88%.

Com este avanço, a inflação acumulada nos últimos 12 meses alcançou 4,58%. O número supera o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. Em agosto, o indicador havia apresentado deflação de 0,32%, com um acumulado de 4,22% no período.

Pressão dos custos de energia e habitação

O grupo habitação foi o principal responsável pela aceleração inflacionária, registrando alta de 2,31%. O movimento foi impulsionado pelo encarecimento da energia elétrica, que subiu 7,98% no mês. Esse aumento reflete o fim do Bônus de Itaipu, um desconto que havia reduzido as contas de luz em agosto.

A ausência do benefício tarifário gerou um efeito estatístico de comparação, elevando a média nacional. Além disso, reajustes contratuais em regiões como Belém, São Luís e Vitória contribuíram para o resultado. Analistas apontam que o impacto deve ser pontual, com expectativa de alívio em outubro devido à entrada da bandeira tarifária verde.

Transportes e alimentos elevam custo de vida

O setor de transportes apresentou alta de 0,89%, pressionado principalmente pelo aumento de 9,66% nas passagens aéreas. Os combustíveis também registraram elevação, com destaque para a gasolina, que subiu 1,21%, e o etanol, com alta de 3,16%.

No grupo de alimentação e bebidas, a inflação voltou a subir após três meses de queda, registrando 0,83%. A alta foi puxada por produtos in natura, como o tomate (37,76%), a batata-inglesa (24,07%) e a cebola (10,14%). Segundo o IBGE, fatores climáticos adversos, como o excesso de chuvas e o frio, prejudicaram a oferta e a qualidade dos itens no campo.

Desempenho frente às projeções de mercado

O resultado de setembro ficou acima das estimativas dos agentes financeiros. O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, projetava uma inflação de 0,60% para o período. A divergência reforça o cenário de cautela, com o mercado financeiro sinalizando uma inflação de 5,01% para o encerramento de 2026.

O índice de difusão, que mede a disseminação dos aumentos, atingiu 55% dos produtos e serviços pesquisados. Enquanto o grupo de serviços subiu 0,61%, os preços monitorados, que incluem tarifas controladas e combustíveis, saltaram 1,59% no mês, evidenciando a pressão sobre o orçamento das famílias.

Fonte: tribunadoplanalto.com.br

Botão Voltar ao topo