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Debate na Globo dá vantagem a Lula contra Flávio Bolsonaro, aponta cientista político

O último confronto televisivo entre os candidatos à Presidência da República redefiniu o ritmo da campanha eleitoral na reta final. Segundo avaliação do cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe e presidente de honra da Abrapel, o presidente Lula (PT) venceu o embate realizado pela TV Globo na noite de sexta-feira (23) por uma margem clara, embora não esmagadora. De acordo com o especialista, o resultado permitiu ao petista reentrar integralmente no jogo político, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) manteve sua competitividade, mas encerrou a transmissão em posição defensiva.

Apesar de o candidato do PL ter demonstrado maior preparo e disciplina em comparação ao primeiro debate promovido pela rede Bandeirantes no domingo (18), o desempenho de Lula ganhou tração ao longo do programa. Lavareda destacou que o desempenho dos dois postulantes reflete estratégias direcionadas tanto para a consolidação de suas bases de apoio quanto para a conquista dos eleitores que ainda não definiram o voto na véspera do pleito.

Avanço de Lula no debate e a postura defensiva de Flávio Bolsonaro

Na análise detalhada de Lavareda, a participação do candidato petista apresentou uma evolução gradual durante a transmissão. Lula iniciou o confronto demonstrando irritação e dificuldades na gestão do tempo de fala, além de deixar de responder diretamente a questionamentos iniciais. Contudo, a partir do segundo bloco, o atual presidente articulou sua biografia às políticas sociais de sua gestão, citando realizações nas áreas de renda, crédito, educação e regulação de apostas.

Durante os blocos seguintes, o petista conseguiu expor fragilidades do adversário. De acordo com o cientista político, Lula fez Flávio Bolsonaro admitir um erro na votação sobre a licença-maternidade e levá-lo a pedir desculpas pelo ataque referente aos “nove dedos”. A estratégia permitiu ao candidato do PT retomar a autoridade e apresentar um discurso focado na experiência administrativa.

Ataques cruzados e o impacto do caso Ana Clara no confronto

O momento de maior tensão no estúdio ocorreu quando Lula abordou a atuação profissional do senador fluminense como advogado. O presidente questionou o adversário sobre a defesa de um policial militar suspeito de balear a menina Ana Clara, de cinco anos. O episódio colocou Flávio Bolsonaro na defensiva, gerando desgaste emocional e político evidente durante o bloco.

Segundo Lavareda, o senador cometeu equívocos ao tentar responder à provocação. Flávio errou o nome da mãe da vítima, transpareceu tensão e insistiu na tese de inocência do policial que havia defendido sem custos. Por outro lado, o candidato do PL registrou seus melhores momentos ao tratar de temas econômicos e de segurança pública, como o preço dos alimentos, o endividamento familiar, taxas de juros e a retomada de territórios dominados pelo crime.

Entretanto, a estratégia de Flávio perdeu eficiência devido ao uso excessivo de bordões e dados imprecisos. A ausência de detalhamento sobre propostas fiscais, aliada a momentos de deboche, comprometeu o alcance de seu discurso nas parcelas mais moderadas do eleitorado.

Reflexos do encontro sobre os eleitores indecisos e as pesquisas

A avaliação do Ipespe aponta que o saldo final favorece Lula, de forma especial entre eleitores indecisos, mulheres e parcelas menos ideologizadas do eleitorado. Essas fatias da população tendem a demonstrar maior sensibilidade a programas de apoio social e à proteção de vítimas de violência. Para conferir dados oficiais sobre o processo eleitoral brasileiro, é possível acessar o portal do Tribunal Superior Eleitoral.

Embora Flávio Bolsonaro tenha preservado sua base fiel de eleitores, o cientista político avalia que o candidato perdeu a oportunidade de ampliar a vantagem obtida no primeiro turno. Lavareda ressalta que o embate pode movimentar décimos ou até um ponto percentual nas intenções de voto. No entanto, o evento isolado não assegura uma virada na disputa, uma vez que a consolidação dos votos e o comparecimento no dia da votação continuam sendo fatores determinantes.

O desfecho da eleição também dependerá da repercussão do programa nas redes sociais. A distribuição de trechos cortados e os relatórios de agências de checagem de fatos sobre as declarações prestadas durante a transmissão devem influenciar a decisão final da audiência nos dias seguintes.

Presença de aliados e o cenário do segundo turno presidencial

O encontro na TV Globo marcou o segundo debate direto entre os postulantes no segundo turno, após a ausência de ambos nos confrontos da primeira etapa. As comitivas presentes no estúdio refletiram a composição das alianças políticas. Flávio Bolsonaro foi acompanhado por aliados como Cleitinho Azevedo, Sergio Moro, Guilherme Derrite e seu irmão Carlos Bolsonaro.

Lula esteve acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, além de Guilherme Boulos, Carlos Lupi, Rui Costa e Jandira Feghali. Também esteve presente no espaço reservado ao petista Cristiane Gomes da Silva, mãe da menina Ana Clara.

A disputa segue acirrada conforme indicam os levantamentos do Datafolha divulgados na quinta-feira (22), apontando empate técnico com 50% dos votos válidos para cada candidato. No primeiro turno, Flávio registrou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. O confronto na emissora ocorreu após o cancelamento de um evento previsto para o primeiro turno em virtude de decisões judiciais relativas às regras de participação.

Fonte: dm.com.br

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