Goiás busca autossuficiência no arroz com expansão produtiva no Vão do Paranã
Apesar de ser uma potência consolidada no agronegócio nacional, Goiás enfrenta um paradoxo logístico e produtivo: o estado importa aproximadamente 70% do arroz consumido por sua população. O diagnóstico, apresentado pelo presidente da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), José Ricardo Caixeta, aponta para a necessidade urgente de descentralizar a produção e aproveitar o potencial inexplorado das terras goianas.
O potencial produtivo do Vão do Paranã
O foco da estratégia estadual está voltado para o Nordeste Goiano, especificamente para a região do Vão do Paranã. Segundo José Ricardo Caixeta, o local reúne condições ideais para o cultivo do cereal, destacando-se pela disponibilidade de áreas irrigadas que podem atingir até 13 mil hectares. A utilização de sistemas tradicionais de alagamento permite que a região se torne um polo estratégico para reduzir a dependência externa do produto.
Transformação da infraestrutura no Nordeste Goiano
O cenário atual é resultado de uma mudança de paradigma iniciada em 2019. Naquele período, a administração pública identificou estruturas de irrigação subutilizadas e uma ausência crítica de suporte básico para as comunidades locais. O projeto de revitalização não apenas focou na produção de arroz, mas também na criação de condições dignas para cerca de 2,5 mil a 2,8 mil famílias distribuídas em aproximadamente 27 assentamentos rurais em Flores de Goiás.
Fruticultura como nova fronteira econômica
Além do arroz, a região do Vão do Paranã está sendo preparada para se tornar um polo de fruticultura. O clima seco, que anteriormente era visto como uma limitação, agora é tratado como uma vantagem competitiva, seguindo o modelo de sucesso de polos como Petrolina e Juazeiro. A Agrodefesa tem promovido missões técnicas para que produtores locais conheçam tecnologias de irrigação que permitam transformar solos férteis em áreas de alta produtividade exportadora.
Integração de culturas e desenvolvimento regional
A visão da Agrodefesa para o futuro do Nordeste Goiano é de um sistema produtivo diversificado. A intenção é que a fruticultura, a pecuária e a produção de grãos em áreas irrigadas coexistam, otimizando o uso da infraestrutura de reservação de água já existente. Esse movimento busca não apenas a autossuficiência alimentar, mas também a inclusão produtiva de famílias que, até poucos anos atrás, careciam de acesso a energia elétrica e estradas adequadas. Para mais detalhes sobre o planejamento estadual, consulte a Agrodefesa.
Fonte: jornalopcao.com.br