Flamengo contesta planos de Lula e alerta para riscos de proibição das bets
O Clube de Regatas do Flamengo manifestou, nesta sexta-feira (25.set.2026), forte oposição à possibilidade de proibição das casas de apostas no Brasil. Em nota oficial intitulada “Proibir não acaba com o jogo”, a instituição argumentou que a medida defendida pelo governo federal pode fortalecer o mercado clandestino e comprometer severamente a sustentabilidade financeira do esporte nacional.
A reação do clube ocorre em um momento de tensão entre o setor esportivo e o Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de restringir severamente as atividades de apostas on-line, sob o argumento de combater o endividamento das famílias e o uso dessas plataformas para atividades ilícitas. O governo prepara um pacote de medidas para limitar o setor.
Impactos na segurança jurídica e no ecossistema esportivo
Para o Flamengo, a alteração abrupta no marco regulatório gera insegurança jurídica para empresas e instituições que firmaram compromissos baseados nas normas vigentes. O clube defende que o caminho ideal seria o aperfeiçoamento da regulamentação com regras mais rígidas, em vez da proibição total.
A diretoria rubro-negra destacou que o impacto de uma eventual proibição seria sistêmico. Além do futebol profissional, a medida afetaria categorias de base, futebol feminino, esportes olímpicos e a realização de campeonatos. O clube também alertou para a perda de postos de trabalho e prejuízos a fornecedores nos setores de comunicação, marketing e tecnologia.
Crescimento do mercado clandestino e evasão fiscal
O clube sustenta que a proibição não extinguirá a prática das apostas, mas apenas empurrará o volume de negócios para plataformas que operam fora do alcance da lei. Segundo dados citados pelo Flamengo, baseados em um levantamento do Instituto Locomotiva e da LCA Consultores, entre 38% e 44% do valor apostado no Brasil já circulam em plataformas clandestinas.
A nota enfatiza que, com a proibição, o Estado perderia a capacidade de regular, fiscalizar e tributar a atividade. O clube argumenta que a regulamentação é a ferramenta mais eficaz para garantir a responsabilização das empresas e a proteção do consumidor, enquanto a proibição apenas reduziria a arrecadação pública proveniente de impostos.
Dependência financeira dos patrocínios
A preocupação do Flamengo é corroborada por sua posição de liderança na captação de recursos via apostas. Levantamento da Sports Value aponta que o clube recebeu R$ 269 milhões em patrocínios do setor em 2025, montante que representou 50% de sua receita de marketing e 13% do faturamento total.
O cenário é de incerteza generalizada no futebol brasileiro. Empresas do setor de apostas já notificaram clubes e emissoras de televisão sobre a possibilidade de rescisão contratual caso as novas restrições governamentais inviabilizem suas operações no país.
Fonte: poder360.com.br