Feira de Arte Goiás é destaque no Prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte 2026

A Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA) divulgou, nesta segunda-feira (25/5), o resultado do Prêmio ABCA 2026, reconhecimento anual que, desde a década de 1970, acompanha e registra movimentos decisivos das artes visuais no país. Nesta edição, o conjunto dos premiados evidenciou uma grande diversidade de nomes, práticas, territórios e instituições em destaque no ano de 2025. Entre os destaques está a Feira de Arte Goiás (Fargo), premiada na categoria de ‘Reconhecimento Regional’ representando o Centro-Oeste.
“Estamos felizes demais e esse reconhecimento só é possível porque somos muitos. Quero agradecer a cada um que está conosco nessa caminhada, juntos somos mais fortes e podemos muito mais”, destaca Wanessa Cruz, diretora da Fargo e sócia da Casa Arte Plena – um dos principais players do mercado de arte do Centro-Oeste.
Fargo
Realizada entre 13 e 17 de maio, a Fargo 2026 chegou à sua oitava edição em um movimento que traduziu, ao mesmo tempo, crescimento e mudança de eixo. Em 2026, a feira praticamente dobrou de tamanho, passando de 30 para 50 estandes, ocupando as instalações do Museu de Arte Contemporânea de Goiás, espaços expositivos do Centro Cultural Oscar Niemeyer, e as galerias: Galeria D.J. Oliveira e Galeria Cleber Gouvêa. Além de atrair um público composto por colecionadores, investidores, art dealers, admiradores de arte e frequentadores das principais feiras de arte do Brasil, o evento contou com a presença de importantes galerias de São Paulo e Brasília.
O conceito desta edição partiu do Cerrado como princípio inspirador – não como representação literal, mas como sistema de referências. Território de resistência, diversidade e regeneração, o bioma orientou o pensamento curatorial e a identidade visual da feira, conectando a Fargo ao seu contexto de origem e reafirmando o Centro-Oeste como potência criativa no campo da arte contemporânea.
ABCA 2026
Entre artistas, pesquisadores, curadores, instituições, espaços independentes e iniciativas de mediação e difusão, a seleção da ABCA 2026 apontou para uma cena mais descentralizada e atenta ao fortalecimento de redes fora dos grandes centros tradicionais.
A presidente da ABCA, Alessandra Simões Paiva, destaca que o resultado reflete um maior amadurecimento do processo de escolha do prêmio. “Existe um esforço contínuo para que mais pessoas se envolvam internamente, proponham nomes e compreendam o prêmio como um instrumento vivo de debate sobre o campo da arte.” A proposta é que no segundo semestre possam ser feitas rodadas de conversa online com todos os associados sobre a metodologia do prêmio.
Para Alessandra, a crítica deve funcionar não apenas como mecanismo de consagração, mas como espaço de tensionamento e fortalecimento do debate público. “Precisamos incentivar o fortalecimento da ABCA em uma época em que as instituições culturais públicas estão cada vez mais desacreditadas. Somos uma das mais antigas e maiores associações de críticos do mundo”, pontua Alessandra, lembrando que a ABCA, integrante de Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA), completou 77 anos de atividade, contando atualmente com 180 associados espalhados em todas as regiões do país.
Ao lado desses movimentos de renovação, o prêmio também reafirma sua dimensão de reconhecimento de trajetórias já consolidadas no campo das artes visuais brasileiras, compondo um panorama em que diferentes gerações e formas de atuação convivem e se atravessam. Isto pode ser visto na presença de nomes historicamente ligados à formação institucional do sistema da arte no país.
Premiação
A cerimônia da premiação será no dia 27 de agosto, às19h, no Teatro Antunes Filho, Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O troféu está sendo criado pela artista Mônica Ventura, que terá sua primeira individual – Antes da forma, o encanto – inaugurada nesta terça-feira (26/5), na Galeria Nara Roesler.
A peça (que será mostrada apenas no dia do evento) refletirá a poética da artista, fortemente ancorada em aspectos construtivistas e tridimensionais e na reinterpretação de elementos culturais pré-coloniais, como a arquitetura e as técnicas de trabalhos manuais dos povos afro-ameríndios. A cerimônia será aberta ao público e conta com a produção da equipe do Sesc, parceiro que há muitas edições apoia o prêmio ABCA.
Vencedores do Prêmio ABCA 2026 – reconhecimentos regionais:
Centro-Oeste — FARGO – Feira de Arte de Goiás
Nordeste — Galeria Amparo 60 (Recife, PE)
Norte — Paula Sampaio
Sudeste — Ateliê 397
Sul — Fundação Vera Chaves Barcellos
História
Reconhecendo a contribuição para a cultura nacional de críticos, artistas, pesquisadores, instituições e personalidades atuantes na área das artes visuais, a ABCA instituiu, em 1978, com o patrocínio da FUNARTE, um Prêmio Anual, em formato de um troféu. Desde então, esse prêmio vem sendo distribuído a personalidades do meio artístico.
O troféu teve diferentes versões desde sua criação, sendo idealizado por artistas renomados. Todas as categorias de premiação possuem o nome de um crítico de reconhecida contribuição para a cultura e para as artes plásticas brasileiras.
Atualmente, além do troféu, a ABCA outorga destaques e homenagens especiais para personalidades do cenário das artes plásticas.
O Prêmio passou por alterações e acréscimos desde que foi instituído em 1978. Idealizado, inicialmente, para colocar em destaque o artista plástico, pouco depois foram definidas duas outras categorias. No ano de 2000 foram criadas quatro categorias e em 2003 mais duas. Os Destaques foram instituídos em 2000 e as Homenagens, em 2001, substituídos em 2022 pelos Destaques Regionais. Em 2022 ainda foram incluídas mais três categorias, todas contemplando as artes visuais.