Eventos corporativos evoluem e passam a ser medidos como investimento estratégico
Os eventos corporativos deixaram de ser vistos pelas empresas apenas como despesas operacionais para se consolidarem como ferramentas estratégicas de geração de valor. Em São Paulo, o setor registrou a realização de 1.511 eventos de grande porte no último ciclo anual, um crescimento de 22% em comparação ao período anterior. Os dados, provenientes do Barômetro Eventos B2B, desenvolvido pela União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios (UBRAFE) em parceria com a São Paulo Turismo, revelam que esses encontros movimentaram R$ 14 bilhões na cadeia de hospitalidade da capital paulista, atraindo cerca de 8 milhões de participantes.
Mudança de paradigma na gestão de orçamentos
A transformação no comportamento corporativo é clara: convenções, treinamentos e reuniões com clientes agora integram a conta de resultados. O foco das organizações deslocou-se da simples execução para a definição rigorosa de objetivos antes da realização de qualquer encontro. Sem metas estabelecidas previamente, torna-se inviável mensurar o retorno sobre o capital investido.
Para João Paulo Ugioni, fundador da Altus Eventos, a lógica de mercado mudou. “As empresas querem saber o que aquele encontro vai produzir depois, seja em vendas, relacionamento ou fortalecimento da cultura. Quando existe essa definição, o orçamento passa a ser analisado como investimento”, explica o administrador.
Tendências globais e foco em resultados
O cenário internacional reflete essa busca por eficiência. O relatório Event Led Growth Report 2026, da Cvent, aponta que 68% dos profissionais de marketing consideram eventos o canal mais eficiente para o negócio. Além disso, 83% dos entrevistados afirmam que essas iniciativas geram fluxos recorrentes de receita, consolidando a importância do setor na estratégia comercial.
A análise de dados mostra que 74% dos profissionais conseguem associar a formação de pipeline a interações ocorridas em eventos. O avanço nas negociações também é mais ágil quando há o contato direto entre as partes, provando que a qualidade da interação supera a quantidade de participantes em termos de impacto financeiro.
Seletividade e infraestrutura como diferencial
O mercado tem demonstrado maior seletividade na alocação de recursos. O número médio de eventos planejados por empresa caiu de 29 para 16 no último ciclo, segundo a Cvent. Essa redução não significa perda de relevância, mas sim uma concentração orçamentária em encontros capazes de gerar impactos mensuráveis e diretos nos negócios.
A infraestrutura do local escolhido tornou-se um pilar fundamental para o sucesso dessas metas. Elementos como acústica, conectividade, climatização e acessibilidade não são apenas detalhes técnicos, mas fatores que influenciam a percepção do público e a eficácia da comunicação. “Um conteúdo excelente pode perder força se a pessoa enfrenta fila, dificuldade para ouvir ou internet instável”, pontua Ugioni.
O futuro da mensuração no setor
O sucesso de um evento corporativo moderno reside na capacidade de alinhar o formato do encontro ao objetivo específico da empresa. Seja para engajar funcionários ou reter clientes, a escolha do indicador deve ser feita antes do evento, permitindo que a organização avalie o resultado construído ao final do processo.
Com cerca de 2,4 milhões de participantes vindos de outros estados ou do exterior, o turismo de negócios em São Paulo continua aquecido. O próximo passo para o setor é o aprimoramento contínuo da capacidade de mensuração, garantindo que cada encontro reúna as pessoas certas e proporcione uma experiência alinhada às metas corporativas de longo prazo.
Fonte: cartacapital.com.br