Estratégia de selfies impulsiona engajamento de Lula nas redes sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a produção de vídeos no formato selfie após o 1º turno das eleições, resultando em um crescimento expressivo de sua presença digital. Entre 5 e 9 de outubro, o petista registrou 29,2 milhões de interações em 167 publicações distribuídas por plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e X. O desempenho representa uma alta de 22% na média de interações por post em comparação aos cinco dias anteriores ao pleito.
A mudança de postura ocorre em um cenário eleitoral desafiador. Após encerrar o 1º turno com 45,16% dos votos, atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 47,03%, a campanha petista busca reverter a desvantagem apontada por pesquisas recentes. Dados do PoderData/Aya indicam que o senador lidera o 2º turno com 53% das intenções de voto, contra 47% de Lula.
Mudança tática na comunicação digital
A adoção das selfies foi uma recomendação direta de aliados durante reuniões estratégicas realizadas após o 1º turno. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), foi um dos entusiastas da ideia, que visa aproximar o presidente do eleitorado jovem e digital. O próprio Lula, que anteriormente demonstrava resistência ao uso constante do celular, passou a adotar o novo formato, chegando a brincar em ato em Ceilândia (DF) que estaria se tornando o “rei das selfies”.
Além da mudança de formato, a campanha ajustou o tom do discurso. A avaliação interna é de que a postura conciliadora não é suficiente para a reta final. A comunicação passou a focar em críticas diretas a Flávio Bolsonaro, associando o adversário ao crime organizado e alertando para possíveis cortes em programas sociais como Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Gás do Povo.
Crescimento de seguidores e volume de menções
O impacto da nova estratégia é visível nos números de crescimento de audiência. Em apenas cinco dias, Lula conquistou 1,050 milhão de novos seguidores, um aumento de 2,67%. Esse volume equivale a cerca de 74% de todo o ganho de seguidores registrado desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto, até a data do 1º turno.
Apesar do aumento na visibilidade, o cenário de opinião pública permanece polarizado. Segundo análise da Bites, 46% das menções ao presidente nas redes são negativas, enquanto 22,8% são positivas. O volume total de menções cresceu 52,3% no período, mas a proporção entre críticas e elogios manteve-se estável em relação à semana que antecedeu a votação.
Personalização como ferramenta de engajamento
Para especialistas, a personalização do conteúdo é um fator determinante para o sucesso nas plataformas digitais. A cientista política Tathiana Chicarino, da FESPSP, aponta que o algoritmo das redes sociais tende a favorecer perfis individuais que estabelecem contato direto com o público. A presença do próprio candidato na tela, em vez de materiais institucionais genéricos, gera maior proximidade e potencial de compartilhamento.
A estratégia também busca integrar novos nomes da política, como a deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), para ampliar o alcance entre o eleitorado jovem. A parlamentar, que se reuniu com o presidente e a produtora Paula Lavigne, defende que a esquerda precisa recuperar terreno no ambiente digital para ser competitiva na disputa pela Presidência da República.
Fonte: poder360.com.br