Cidades

Estudo da UFRJ aponta descumprimento de regras eleitorais por big techs no dia da votação

Um levantamento realizado pelo Observatório das Big Techs, vinculado ao NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou falhas significativas no cumprimento das normas eleitorais por grandes plataformas digitais durante o dia da votação. A pesquisa identificou a veiculação de anúncios políticos e a recomendação de conteúdos de candidatos, práticas que violam as resoluções estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Irregularidades em anúncios e sistemas de recomendação

Conforme a legislação vigente, a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet é estritamente proibida no período que compreende 48 horas antes até 24 horas depois do pleito. Além disso, as plataformas devem desativar seus sistemas de recomendação para perfis de candidatos registrados na Justiça Eleitoral. O estudo utilizou buscas manuais e computacionais para monitorar a atuação da Meta, Kwai, Google, TikTok e YouTube.

O monitoramento apontou a persistência de 568 anúncios irregulares nas plataformas da Meta, incluindo Instagram e Facebook. Mais grave ainda, foram detectadas seis peças publicitárias que simulavam comunicações oficiais do TSE. Esses anúncios falsos utilizavam elementos visuais da Justiça Eleitoral para induzir eleitores a acreditar na possibilidade de votação remota, direcionando usuários a sites que solicitavam dados pessoais, como o CPF.

Desafios na fiscalização e transparência das plataformas

No Kwai, o laboratório identificou 18 anúncios eleitorais ativos no dia da votação e constatou que peças publicitárias tiveram suas datas de circulação estendidas indevidamente. No Google, um anúncio identificado anteriormente permaneceu ativo na infraestrutura da empresa mesmo após o início do período de vedação. O TikTok e o YouTube também foram citados por continuarem a sugerir vídeos de candidatos em seus sistemas de recomendação.

O NetLab destacou que a fiscalização é dificultada pela falta de transparência das empresas. Foram observadas divergências entre os dados exibidos nas bibliotecas de anúncios das plataformas e as informações obtidas via ferramentas de programação (API). Segundo os pesquisadores, essa inconsistência impede uma auditoria precisa e a responsabilização efetiva por irregularidades.

Posicionamento das empresas sobre o monitoramento

Em nota, a Meta afirmou estar comprometida com a proteção do processo eleitoral e que a amostragem do relatório não reflete a escala de seu trabalho de integridade. O Kwai declarou que mantém equipes dedicadas à moderação e que restringiu o upload de novos criativos eleitorais desde o dia 1º de outubro. O TikTok ressaltou a remoção de mais de 348 mil vídeos por violações de políticas cívicas entre junho e setembro de 2026.

O Google, por sua vez, defendeu que suas políticas proíbem anúncios políticos no Brasil e que o estudo comprovou a eficácia de suas equipes, visto que apenas um anúncio foi identificado na plataforma. Mais detalhes sobre as resoluções podem ser consultados diretamente no portal do Tribunal Superior Eleitoral.

Fonte: cartacapital.com.br

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