Crescimento de 3,5% ao ano é meta essencial para o Brasil, defende José Ricardo Roriz
O Brasil enfrenta um desafio estrutural para retomar o protagonismo econômico e ampliar sua competitividade global. Segundo José Ricardo Roriz Coelho, presidente do conselho da Abiplast, o país precisa sustentar uma taxa de crescimento superior a 3,5% ao ano para gerar empregos de qualidade e elevar a arrecadação nacional.
A análise foi apresentada nesta terça-feira (29.set.2026) durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado em São Paulo. Para o executivo, o atual patamar de expansão é insuficiente para as demandas de desenvolvimento do país, exigindo uma mudança drástica na política de investimentos.
Investimento como pilar para a expansão econômica
O principal entrave diagnosticado por Roriz é o baixo volume de capital aplicado na economia real. Em 2025, o Brasil registrou um investimento de aproximadamente 16,8% do Produto Interno Bruto (PIB). O executivo ressalta que, para viabilizar um crescimento sustentável de 3,5% ao ano, seria necessário elevar esse índice para a casa dos 25%.
Impactos da concorrência externa e política comercial
Além da necessidade de capital, o setor industrial enfrenta a pressão de produtos estrangeiros subsidiados, com foco especial nas importações vindas da China. Roriz aponta que, quando a demanda interna é suprida por itens importados, a indústria nacional perde espaço e o estímulo para a criação de novas plantas produtivas diminui.
O presidente da Abiplast defende que o próximo governo estabeleça uma trajetória de crescimento de pelo menos 3% ao ano a partir de 2027. Para isso, ele sugere o enfrentamento direto de gargalos históricos, como a insegurança jurídica, o custo dos juros elevados e a ausência de uma política de defesa comercial robusta.
Reforma tributária e modernização do Estado
Sobre a reforma tributária, o setor industrial mantém apoio à simplificação do sistema e à redução da cumulatividade de impostos. No entanto, há cautela em relação às alíquotas definitivas do IBS e da CBS. Roriz defende que a carga tributária total não ultrapasse o intervalo de 24% a 25%, evitando que o Brasil perca competitividade frente a nações concorrentes.
Por fim, o executivo cobrou uma atualização urgente na gestão pública. Diante da rápida evolução da inteligência artificial, Roriz classificou a estrutura governamental atual como “totalmente analógica”, sugerindo que a modernização do Estado é um passo indispensável para acompanhar as transformações tecnológicas globais.
Fonte: poder360.com.br