CEI dos Fios Soltos avalia indiciar presidente da Equatorial Goiás em relatório final
A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, em funcionamento na Câmara Municipal de Goiânia, prepara a conclusão de seus trabalhos com uma medida de alto impacto. O presidente do colegiado, vereador Coronel Urzêda (PL), sinalizou a possibilidade de solicitar o indiciamento de Lener Silva Jayme, presidente da Equatorial Goiás, no relatório final da investigação. O documento será apresentado oficialmente nesta terça-feira, 30, às 14h.
A investigação da CEI debruçou-se sobre a precariedade da infraestrutura de fiação aérea na capital e as circunstâncias trágicas que levaram à morte da adolescente Náthaly Rodrigues do Nascimento, em setembro de 2025. O vereador Coronel Urzêda defende que a apuração deve ir além da identificação imediata dos responsáveis, buscando uma responsabilização administrativa e penal que alcance os níveis de gestão da concessionária.
Proposta de novo código para gestão de infraestrutura urbana
Além das medidas punitivas, a comissão elaborou uma minuta voltada à criação do Código Municipal de Gestão da Infraestrutura Aérea Urbana de Goiânia. A iniciativa, que homenageia a memória de Náthaly Rodrigues, visa estabelecer normas rigorosas para a instalação, manutenção e regularização de cabos nos postes da cidade. O texto propõe fortalecer a fiscalização e definir responsabilidades claras para as empresas que utilizam o espaço aéreo urbano.
Segundo o parlamentar, o objetivo é transformar a tragédia em um marco regulatório para a capital. A legislação pretende impedir que novas falhas na manutenção da rede elétrica resultem em riscos fatais para os cidadãos, garantindo que a infraestrutura urbana seja operada com critérios técnicos mais rígidos e sob vigilância constante do poder público.
O histórico do caso e a atuação da Polícia Civil
A morte de Náthaly Rodrigues, aos 17 anos, ocorreu após o rompimento de fios de alta tensão durante um temporal. A Polícia Civil, por meio de inquérito conduzido pelo delegado Fernando Martins, já havia indiciado três funcionários da Equatorial — um supervisor, um gerente e um operador — por homicídio culposo e lesão corporal culposa. A perícia técnica foi fundamental para desvendar a dinâmica do acidente.
Conforme apurado pela polícia, o religador automático, dispositivo de segurança da rede, foi desabilitado manualmente pela equipe da concessionária após oscilações causadas pela ventania. O restabelecimento da energia ocorreu sem a verificação prévia do local, permitindo que cabos rompidos e submersos em água recebessem carga elétrica. A vítima recebeu uma descarga de aproximadamente 1.156 volts.
Desafios na condução da CEI e próximos passos
Os trabalhos da CEI, iniciados em 25 de novembro do ano anterior, enfrentaram obstáculos significativos. O presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme, chegou a obter um habeas corpus que o desobrigou de comparecer à Câmara para prestar esclarecimentos aos parlamentares. Apesar disso, a comissão manteve a coleta de depoimentos e provas documentais.
Após a apresentação do relatório final, os encaminhamentos serão remetidos aos órgãos competentes para que as medidas cabíveis sejam adotadas. A composição da CEI conta com os vereadores Sargento Novandir, Tião Peixoto, Markim Goya, Coronel Urzêda, Geverson Abel, Daniela da Gilka, Léo José e Lucas Vergílio. O Jornal Opção segue acompanhando o desdobramento das investigações.
Fonte: jornalopcao.com.br