André Lara Resende defende criação de conselho e corte na taxa Selic
O economista André Lara Resende publicou um artigo no qual defende a redução da taxa básica de juros para um patamar de 7,5% ao longo de um período de 12 meses. O texto detalha propostas para reformular a condução econômica do país, apontando que a atual política monetária conduzida pelo Banco Central seria ineficaz no combate à inflação sem o devido alinhamento com as contas públicas.
A argumentação apresentada baseia-se na Teoria Fiscal de Nível de Preços, conceito acadêmico que questiona a eficácia exclusiva de juros elevados para conter a alta de preços. Segundo o economista, a elevação desmedida da taxa básica pode gerar o efeito inverso ao esperado, pressionando o orçamento estatal e elevando o risco inflacionário por meio da expansão da dívida pública.
Proposta de criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional
Para solucionar os gargalos na gestão econômica, a principal sugestão estrutural apresentada é a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Este novo órgão unificado seria encarregado de estabelecer de maneira integrada as metas fiscais e monetárias com um horizonte de médio prazo, abrangendo períodos de quatro a cinco anos à frente.
Diferente do modelo atual, o novo conselho definiria tanto as metas tradicionais de inflação quanto uma trajetória específica para a taxa Selic. A formulação busca amarrar as expectativas de mercado por meio de regras previsíveis que reduzam a volatilidade e tragam maior estabilidade para o planejamento financeiro do país a longo prazo.
Cálculo da meta de juros e prazo de transição
Na modelagem sugerida, o patamar dos juros básicos ficaria situado entre a meta oficial de inflação vigente e o crescimento nominal potencial do Produto Interno Bruto. A partir desse intervalo básico, somar-se-ia um spread de segurança inicial que seria reavaliado periodicamente com o objetivo de sua eventual eliminação futura.
O cronograma prático prevê um prazo inicial estipulado pelo Banco Central para conduzir a redução gradual da taxa até atingir o patamar planejado. Paralelamente, o documento destaca a necessidade de atuação pontual no mercado de câmbio para conter valorizações excessivas da moeda estrangeira diante de eventuais fugas de capital.
Impactos sobre o deficit fiscal e a economia real
A adoção das medidas propostas resultaria em uma economia significativa nos gastos públicos com o pagamento da dívida, estimada em pontos percentuais expressivos do PIB anual. A contenção do deficit fiscal restabeleceria a credibilidade econômica de longo prazo sem a imposição de um cenário recessivo profundo sobre a atividade produtiva.
Especialistas da área econômica divergem sobre os mecanismos ideais, mas convergem na premissa de que o ajuste das contas públicas é indispensável para permitir qualquer flexibilização monetária sustentável. A articulação entre cortes de gastos e o manejo da taxa básica permanece no centro dos debates econômicos nacionais atuais.
Fonte: poder360.com.br