Boulos enfrenta críticas por omitir papel da esquerda em reajuste do ICMS do diesel
O ministro Guilherme Boulos tornou-se alvo de contestações políticas após responsabilizar exclusivamente a administração estadual paulista pelo recente encarecimento dos combustíveis. Aliados do governador paulista apontam que a medida tributária foi adotada em conjunto por diversas administrações estaduais, abrangendo gestões de diferentes matizes partidários.
A controvérsia ganhou repercussão pública neste domingo (1.nov.2026), gerando debates acalorados sobre a transparência na comunicação de dados fiscais e o uso político das decisões econômicas tomadas no âmbito nacional.
Decisão conjunta no Confaz e o impacto nos estados
O reajuste do ICMS sobre o óleo diesel foi validado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária, órgão colegiado que reúne representantes das secretarias de fazenda dos vinte e seis estados e do Distrito Federal. A deliberação considerou um cenário de instabilidade internacional nos preços do petróleo e foi presidida pelo ministro Dario Durigan, passando a valer a partir de fevereiro de 2027.
Parlamentares aliados ao governo de São Paulo ressaltaram que a medida contou com o aval de estados administrados por siglas de esquerda e parceiros do governo federal, como Bahia, Ceará e Piauí. Para os críticos, a omissão desse contexto na fala do ministro distorce a realidade dos fatos.
Reações de parlamentares e autoridades
O deputado federal eleito Guilherme Piai acusou o ministro de disseminar informações incorretas ao focar as críticas em um único gestor estadual. Na mesma linha, o deputado estadual eleito Danilo Campetti afirmou que a tentativa de transferir toda a responsabilidade para a administração paulista ignora a natureza coletiva do conselho fiscal.
Por sua vez, o deputado estadual Tomé Abduch pontuou que os valores cobrados seguem critérios técnicos e fórmulas preestabelecidas. As defesas do governo estadual reforçaram que o debate público tem sido instrumentalizado para gerar desinformação perante a população.
A tréplica e o argumento da incoerência
Diante das contestações, o ministro argumentou que o endosso do conselho fiscal não anula o que classificou como incoerência da gestão paulista. Em manifestação pública em rede social, destacou que a administração estadual teria adotado postura distinta após o período eleitoral em relação aos tributos sobre combustíveis.
O embate político evidencia as disputas narrativas em torno da carga tributária e da gestão dos preços dos combustíveis no país, envolvendo embates diretos entre o governo federal e administrações estaduais de oposição.
Fonte: poder360.com.br