Guilherme Boulos culpa Tarcísio de Freitas por alta do diesel mas silencia sobre aval do Confaz
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, criticou neste domingo (1.nov.2026) o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, devido ao reajuste no preço do diesel no estado programado para 2027. Contudo, em vídeo divulgado em suas redes sociais, o ministro acabou omitindo que a medida tributária foi aprovada de maneira colegiada e envolveu também administrações ligadas a aliados do governo federal.
A discussão ganhou forte repercussão pública após o pronunciamento em que o ministro comparou a postura da gestão estadual paulista com as iniciativas federais voltadas para a contenção inflacionária dos combustíveis. A controvérsia expõe as disputas de narrativa entre diferentes correntes políticas no país em relação à cobrança de impostos sobre itens essenciais para o transporte e a logística nacional.
Reajuste no imposto estadual e repercussão oficial
Em sua manifestação pública, Guilherme Boulos apontou que a administração estadual paulista elevou o tributo sobre o óleo diesel. Segundo o ministro, a alíquota passaria de um patamar anterior para um valor superior por litro, impactando diretamente o custo de vida da população e a rotina dos profissionais do setor rodoviário.
O ministro contrapôs a decisão de São Paulo às ações conduzidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, argumentando que o governo federal atua ativamente para segurar os preços e evitar maiores pressões inflacionárias sobre a economia interna.
Decisão colegiada no Confaz e contexto nacional
Apesar das críticas direcionadas ao governo paulista, a alteração na cobrança do ICMS sobre os combustíveis foi validada em 27 de outubro pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). O colegiado é composto por representantes das secretarias de Fazenda, Finanças ou Tributação dos 27 estados e também do Distrito Federal.
Dessa forma, a deliberação ocorreu de maneira conjunta entre gestões de diferentes matrizes políticas, incluindo administrações alinhadas à base do próprio governo federal. A medida atende a um entendimento técnico diante do cenário de instabilidade internacional nos mercados de derivados de petróleo.
Subvenções federais e custos para o erário
Paralelamente à discussão sobre a tributação estadual, a gestão federal prorrogou por mais 30 dias a subvenção voltada ao diesel comercializado em território nacional. A estratégia foi adotada para minimizar os reflexos de conflitos internacionais no Oriente Médio sobre o mercado interno.
Dados oficiais indicam que o custo acumulado dessas subvenções federais já superava dezenas de bilhões de reais, evidenciando o esforço fiscal despendido para amortiguar oscilações externas e manter a estabilidade temporária dos preços para os consumidores e transportadores.
Posicionamento e desdobramentos institucionais
Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do governador Tarcísio de Freitas não havia enviado respostas aos questionamentos encaminhados pela imprensa sobre as declarações públicas feitas pelo ministro de Estado.
O episódio reforça o acirramento do debate político com vistas aos próximos ciclos eleitorais, transformando questões fiscais e administrativas em palanques para disputas de opinião pública em território paulista e nacional.
Fonte: poder360.com.br