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Trajetórias femininas redefinem os rumos da Polícia Científica de Goiás

A presença feminina na segurança pública ganha novas perspectivas quando observada a partir das histórias de profissionais que dedicam suas carreiras à elucidação de crimes e à busca por respostas. Na Polícia Científica, mulheres ocupam diferentes posições em laboratórios, necropsias, locais de crime e cargos de liderança, transformando a rotina de uma instituição historicamente associada à atuação masculina.

Quatro trajetórias distintas ilustram essa transformação no Estado, revelando os desafios enfrentados desde a preparação em concursos públicos até a consolidação da autoridade técnica em ambientes complexos. Entre expectativas de longos anos e a superação de barreiras cotidianas, essas profissionais demonstram que a competência na perícia transcende questões de gênero.

Deline Carneiro e a jornada até a odontologia legal

Natural da Bahia, Daline Oliveira Carneiro formou-se em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia em 2010 e descobriu a área forense ainda durante a graduação. Diante da escassez de concursos públicos em seu estado natal, manteve-se focada nos estudos por uma década, acumulando especializações, mestrado e doutorado até a abertura de vagas em Goiás.

Aos 40 anos, a profissional tomou a decisão de deixar família e consultório para recomeçar a carreira em solo goiano. Aprovada em 2025 no primeiro concurso específico para perito odontolegista no Estado, ela integra agora uma equipe que busca devolver dignidade a famílias por meio da identificação humana e da análise de lesões.

Percilia Lucena na divisão de crimes contra a vida

Com atuação consolidada na Divisão de Perícias de Crimes contra a Vida, Percilia de Andrade Lucena soma 9 anos de experiência em plantões de 24 horas. A rotina em locais de morte exigiu não apenas o domínio técnico dos vestígios, mas também a imposição de respeito profissional diante de cenários tradicionalmente dominados por homens.

A perita criminal destaca que o reconhecimento do trabalho feminino ocorre por meio da precisão científica e da firmeza nas decisões. A presença em ocorrências complexas reforça a capacidade de liderança e a importância da diversidade nas equipes de investigação forense.

Isadora Lima e o cuidado na antropologia forense

A atuação de Isadora Silva Lima na área de necropsias demonstra uma vertente humanizada da ciência forense, voltada ao atendimento de vítimas em situação de extrema vulnerabilidade. O trabalho técnico une rigor científico e sensibilidade na apuração de circunstâncias que exigem absoluto sigilo e respeito aos fatos.

A inserção de novas profissionais nesses setores tem oxigenado as equipes técnicas em Goiás, conforme apontam os relatos internos da corporação. A diversificação dos quadros consolida um modelo de perícia mais representativo e integrado às demandas sociais do Estado.

Núbia Miranda e a consolidação da liderança feminina

Iniciando sua trajetória em unidades do interior, Núbia Miranda galgou posições ao longo de quase uma década até alcançar cargos de chefia na estrutura da Polícia Científica. Sua jornada reflete a evolução das oportunidades e a quebra de barreiras institucionais para mulheres em postos de comando.

A experiência acumulada em diferentes regiões do Estado permitiu que a perita coordenasse equipes e influenciasse diretrizes operacionais. O protagonismo feminino nesses cargos corrobora a autonomia e a capacidade de gestão técnica dentro da segurança pública estadual.

Fonte: jornalopcao.com.br

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