Cidades

Filho de Lula recebeu oferta de posto em ONG para atrair verba da Amazônia de empresário da Unigel

O empresário Léo Slezynger, com ligações à petroquímica Unigel, convidou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar o conselho de uma organização não governamental voltada à preservação ambiental. A proposta foi articulada pela lobista Roberta Luchsinger, que se apresentava como sócia de Lulinha, conforme revelado por reportagem veiculada pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.

A iniciativa tinha como meta central a captação de recursos financeiros vinculados a um aporte de US$ 500 milhões anunciado pelo então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, destinado ao Fundo Amazônia no ano de 2023. Mensagens analisadas pela apuração indicam que a articulação previa o pagamento de remuneração para influenciar decisões e favorecer os interesses da entidade privada.

Articulação financeira e o Fundo Amazônia

Durante as conversas registradas pela reportagem, a lobista sugeriu que Slezynger oferecesse uma posição remunerada ao filho do presidente da República. A justificativa apresentada era de que a presença de Lulinha na estrutura diretiva facilitaria o direcionamento de verbas e a captação de recursos internacionais para a organização.

As negociações ocorreram paralelamente à atuação dos envolvidos em pautas comerciais ligadas à Unigel, incluindo um contrato de gás natural com a Petrobras que acabou anulado pelo Tribunal de Contas da União. O órgão fiscalizador considerou a transação prejudicial aos cofres da estatal brasileira.

Planejamento da entidade e nomes cotados

Após as tratativas iniciais, Slezynger passou a dialogar diretamente com Lulinha sobre a criação de um fórum de sustentabilidade e a estruturação da organização chamada Brasil Climate Change. Um organograma elaborado em maio de 2023 previa a inclusão de Lulinha, da ex-ministra Marina Silva e da própria Roberta Luchsinger no conselho estratégico da instituição.

O documento também listava empresários e parlamentares para diferentes instâncias de governança da ONG. No entanto, ao receber a proposta de participação, o filho do presidente manifestou dúvidas formais a respeito da legalidade de integrantes do governo ocuparem funções executivas em entidades privadas do setor.

Investigações e desdobramentos jurídicos

A criação da organização e os contatos mantidos entre os empresários e a família presidencial tornaram-se alvo de apurações oficiais. As suspeitas de suposto tráfico de influência envolvendo as negociações da Unigel são investigadas em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Flávio Dino.

Apesar da existência da investigação judicial, autoridades ressaltam que o procedimento não representa uma conclusão definitiva sobre a prática de ilícitos. A apuração jornalística também não encontrou comprovação de que a ONG tenha recebido repasses do Fundo Amazônia ou de que Lulinha tenha assumido formalmente o cargo remunerado.

Fonte: jornalopcao.com.br

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