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Cade aprofunda investigação sobre venda de direitos de transmissão do futebol

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) intensificou a análise sobre a venda conjunta de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, envolvendo clubes ligados à Futebol Forte União (FFU). Em nota técnica publicada em 15 de outubro de 2026, a Superintendência Geral do órgão classificou a operação como complexa, determinando a realização de diligências adicionais para verificar possíveis impactos na concorrência do mercado esportivo.

Análise detalhada da estrutura de direitos e investimentos

O processo, que teve início em 30 de abril, atende a um acordo firmado anteriormente em um procedimento de Apuração de Ato de Concentração. A investigação abrange 31 clubes, a FFU e a Sports Media Entertainment (SME), além de incluir os direitos de Corinthians e Botafogo-SP, negociados em conjunto com o bloco. O foco do Cade recai sobre os contratos de longo prazo, que preveem a cessão de 10% a 20% dos direitos de arena e propriedades comerciais por um período de 50 anos, entre 2025 e 2074.

O órgão regulador busca esclarecer as regras de governança do Condomínio Forte União (CFU) e as condições estabelecidas para a entrada e saída de agremiações no arranjo. Outro ponto central é a eventual relação vertical entre o CFU e a LiveMode, empresa que presta serviços comerciais ao grupo e controla a CazéTV, detentora de pacotes de transmissão para o ciclo de 2025 a 2029. O Cade pretende investigar se existem vínculos societários ou operacionais que ultrapassem a mera prestação de serviços.

Questionamentos de clubes e entidades interessadas

A investigação ganhou corpo após manifestações de clubes como Operário, Cuiabá e Atlético Goianiense, que relataram dificuldades de relacionamento com a investidora e preocupações sobre o controle dos fluxos financeiros. O Operário, inclusive, chegou a propor a recompra de parte dos direitos cedidos à SME. Além disso, entidades como a Anaf e a Fenapaf, habilitadas como terceiras interessadas, apontaram a possível omissão de acordos individuais firmados com outros clubes, como Vitória, Corinthians e Atlético-MG.

A Superintendência Geral também avalia a coexistência de dois blocos comerciais distintos no futebol brasileiro: o CFU e a Libra. A coexistência desses arranjos levanta dúvidas sobre a concentração de poder e os efeitos práticos para o consumidor final. Segundo o órgão, embora não seja possível descartar um aumento nos preços das transmissões, outros fatores, como a Lei do Mandante e a ampliação de canais de exibição, também desempenham papéis relevantes na dinâmica de mercado.

Posicionamento da Sports Media Entertainment

Em resposta ao Poder360, a SME classificou a decisão do Cade como positiva, argumentando que o aprofundamento da análise permitirá demonstrar as eficiências do modelo. A empresa defende que o prazo de 50 anos é compatível com a natureza dos investimentos realizados e destaca que a receita média dos clubes da Série A integrantes do CFU cresceu 47% entre 2024 e 2025. A companhia reforça que manterá o diálogo com o órgão para detalhar os mecanismos de governança e os resultados econômicos alcançados.

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