Ranking global aponta 15 cientistas de Goiás entre os mais influentes do mundo em 2025
Um grupo de 15 pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior em Goiás alcançou um feito notável ao integrar o ranking World’s Top 2% Scientists, elaborado pela editora Elsevier. A lista, que reconhece os cientistas mais influentes do mundo, destaca profissionais da Universidade Federal de Goiás (UFG) e do Instituto Federal Goiano (IF Goiano) por seu impacto acadêmico global.
O levantamento utiliza dados da plataforma Scopus para mensurar a relevância da produção científica. Os critérios de avaliação são rigorosos e incluem o número total de citações, o índice H — que equilibra produtividade e impacto — e a participação ativa em artigos científicos, com ajustes metodológicos para minimizar o efeito de autocitações.
Impacto da ciência produzida fora dos grandes centros
O reconhecimento internacional reforça a capacidade de instituições goianas em liderar investigações de ponta, superando a barreira geográfica dos principais polos acadêmicos do país. Para os pesquisadores, a presença no ranking é um indicativo de que a qualidade científica em Goiás possui relevância que transcende as fronteiras nacionais.
Guilherme Malafaia, professor do IF Goiano e especialista em toxicologia ambiental, destaca que o resultado serve como estímulo para novos talentos. Ao investigar os efeitos da poluição e dos microplásticos, ele observa que o sucesso acadêmico no interior do estado serve de motivação para que estudantes acreditem na viabilidade de carreiras científicas de alto nível fora das capitais.
Gestão e financiamento como pilares da pesquisa
A continuidade e a excelência desses projetos dependem diretamente de estratégias de financiamento. Wendell Karlos Tomazelli Coltro, pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFG, ressalta que o suporte estadual tem sido um diferencial competitivo. Segundo ele, o modelo de gestão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) tem sido fundamental para viabilizar parcerias internacionais e manter a infraestrutura necessária para o desenvolvimento de sensores e dispositivos portáteis de análise.
José Alexandre Felizola Diniz-Filho, pesquisador da área de ecologia, evolução e biodiversidade com três décadas de trajetória na UFG, observa uma mudança estrutural na ciência brasileira. Para ele, o país deixou de ser apenas um fornecedor de matéria-prima para pesquisas externas e passou a ocupar um papel de liderança na condução de investigações complexas, um processo que exige manutenção de investimentos mesmo em cenários de restrição orçamentária federal.
Representatividade feminina e evolução acadêmica
O cenário atual também aponta para uma maior diversidade na representação científica. Carolina Horta Andrade, da UFG, que figura no ranking pelo quarto ano consecutivo, celebra o crescimento da participação feminina entre os nomes goianos listados. Com atuação consolidada em ciências farmacêuticas e medicina tropical, a pesquisadora enfatiza que a presença de mais mulheres na lista reflete um avanço necessário na composição da comunidade científica local.
Fonte: jornalopcao.com.br