Goiânia

Padre Fábio de Melo discute convivência com a depressão crônica

O padre Fábio de Melo, de 55 anos, abriu um diálogo franco sobre sua saúde mental durante participação no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, exibido na última quarta-feira (14). O religioso, que possui diagnóstico de depressão crônica, compartilhou reflexões profundas sobre a maneira como lida com o estado emocional ao despertar.

A rotina de enfrentar a melancolia matinal

Durante a entrevista, o sacerdote revelou uma característica marcante de sua vivência pessoal: a ausência de sentimentos de euforia ou felicidade ao iniciar o dia. Segundo o religioso, a sensação de desânimo é uma constante que independe de fatores externos ou do ambiente em que se encontra.

“Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo. Eu não acordo feliz”, afirmou o padre. Ele descreveu esse estado como uma sombra persistente, que, paradoxalmente, ele associa à sua capacidade criativa e à sensibilidade que desenvolveu ao longo de sua trajetória.

O impacto do desânimo nas decisões cotidianas

O relato de Fábio de Melo detalha como a melancolia afeta sua percepção de escolhas feitas anteriormente. O padre explicou que é comum sentir arrependimento ou questionamentos sobre decisões tomadas na noite anterior ao despertar no dia seguinte, mesmo que estivesse entusiasmado no momento da escolha original.

Essa oscilação de humor, contudo, não o impede de manter uma relação equilibrada com a própria existência. O religioso enfatizou que, apesar da carga emocional que carrega, consegue encontrar satisfação em atividades intelectuais e momentos de introspecção, mantendo uma rotina que ele considera saudável.

Refúgio na literatura e equilíbrio emocional

Para lidar com os desafios impostos pela condição, o padre destaca a importância de hábitos simples e prazerosos. A leitura, especialmente de autores como Dostoiévski, funciona como um refúgio que lhe permite encontrar paz e foco, distanciando-o do peso da rotina diária.

O sacerdote reforçou que, embora não experimente a euforia constante, não se considera uma pessoa de difícil convivência. Ele mantém uma postura de aceitação diante de sua condição, buscando na saúde mental um caminho para continuar exercendo suas atividades com equilíbrio e serenidade.

Fonte: dm.com.br

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