POLÍCIA

Cármen Lúcia critica submissão do Brasil a interesses externos em palestra na UFMT

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, participou nesta terça-feira (13.out.2026) da abertura da Semana do Conhecimento da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), realizada em Cuiabá. Durante o evento, a magistrada ministrou a palestra intitulada “Mulheres na ciência e na democracia, igualdade como compromisso institucional”, na qual refletiu sobre o papel do Brasil no cenário global e a importância da confiança nas estruturas democráticas.

Reflexões sobre a soberania e o potencial brasileiro

Ao analisar a posição do país no mundo, a ministra destacou a riqueza de recursos naturais e a força cultural brasileira. Segundo Cármen Lúcia, o Brasil possui inteligência e ativos naturais que deveriam colocá-lo em uma posição de protagonismo, em vez de subordinação. “Nós temos no Brasil chão, céu, água, uma inteligência exuberante e uma cultura impressionante – que não é para ninguém no mundo não nos considerar matriz. E nós temos vivido como se fôssemos para servir outras nações”, declarou durante sua fala.

Para a magistrada, essa postura de servidão impede que o país exerça seu papel de oferecer modelos de convivência pacífica para a comunidade internacional. Ela também reforçou a importância do exercício da cidadania, lembrando que o ato de votar é uma responsabilidade individual e soberana: “No dia da eleição, é você com você mesmo e mais ninguém”.

A base da convivência democrática e a equidade

A ministra enfatizou que a democracia não é fruto de vontades individuais, mas uma construção histórica pautada na necessidade humana de paz. “O princípio da confiança está na base da convivência democrática”, afirmou, ressaltando que as instituições existem para garantir essa estabilidade social. O discurso também abordou a urgência da equidade de gênero, defendendo uma sociedade onde mulheres e homens caminhem lado a lado, livres de violência e desvalorização.

Ao tratar das expectativas para o desenvolvimento nacional, Cármen Lúcia rejeitou a ideia de que o Brasil deve ser eternamente o “país do futuro”. Para ela, a população demanda resultados imediatos. “Nós, as velhas e os velhos, queremos ser felizes agora e ter esperança de deixar algum legado de alegria”, pontuou, enfatizando que o presente é o momento para a concretização de direitos e conquistas sociais.

Honraria e manifestações na UFMT

Durante a cerimônia, que contou com um público de 360 pessoas, a ministra foi a primeira personalidade a receber a Láurea Ordem Universitária do Brasão da UFMT. A honraria reconhece seu histórico de atuação em defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de oportunidades.

O evento foi marcado por apresentações culturais das companhias Corpo Livre, D’Santos, Dreams Ballet e do grupo Mulheres da Terra do Sol. Ao final das atividades, integrantes do grupo artístico manifestaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entoando frases em defesa da educação pública e da ciência, além de realizarem gestos em referência ao chefe do Executivo.

Fonte: poder360.com.br

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