Documentos do Planalto confirmam encontros entre Daniel Vorcaro e suposto operador de propina
Registros oficiais de acesso ao Palácio do Planalto confirmam que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, esteve na sede do governo federal em ao menos duas ocasiões durante o ano de 2024. Em ambas as visitas, o empresário estava acompanhado de Júlio Cezar, identificado por ele como o operador de um suposto esquema de propinas que envolveria o grupo político do ministro Alexandre Padilha.
As informações, reveladas inicialmente pela revista Veja, detalham que as entradas conjuntas ocorreram nos dias 1º de março e 3 de abril de 2024. Os dados da Presidência da República corroboram relatos apresentados por Vorcaro em uma proposta de delação premiada, além de mensagens extraídas pela Polícia Federal de seu aparelho celular, que indicam uma articulação direta para acesso a fundos de pensão de servidores públicos.
Registros do Planalto detalham reuniões com cúpula institucional
O primeiro registro oficial aponta que Vorcaro e Júlio Cezar se identificaram na portaria do palácio às 14h33 do dia 1º de março. Segundo o banqueiro, o encontro contou com a presença de Alexandre Padilha e do então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto. Na ocasião, o ministro teria sinalizado que tratativas com Noleto teriam o mesmo peso de decisões tomadas diretamente por ele.
Após a reunião formal, o grupo teria seguido para uma conversa reservada em Brasília. O relato de Vorcaro indica que os interlocutores condicionaram o aporte de recursos dos fundos Previ, Petros e Postalis ao pagamento de uma vantagem indevida de 10% sobre o montante captado. O plano visava movimentar até R$ 10 bilhões, o que geraria R$ 1 bilhão em propinas para o grupo articulador.
Articulação financeira e mensagens interceptadas pela Polícia Federal
Mensagens de texto revelam que a dupla coordenava agendas na capital federal com antecedência. Em 28 de março, o lobista Júlio Cezar questionou a vinda do banqueiro para novos compromissos. Vorcaro demonstrou urgência na confirmação dos encontros com a “turma”, termo que, segundo a proposta de delação, era utilizado para se referir a Padilha e Noleto.
No dia 3 de abril, antes de ingressarem no Planalto às 17h29, os dois estiveram na sede do Postalis, o fundo de pensão dos Correios. Uma planilha encontrada no celular do dono do Banco Master indicava uma operação planejada para captar R$ 500 milhões do fundo por meio de títulos financeiros. O banqueiro alega que o lobista facilitava o trânsito em instituições ligadas ao Banco do Brasil e à Petrobras.
Rejeição de delação e negativas dos envolvidos no caso
Apesar dos registros e das mensagens, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal rejeitaram a proposta de colaboração de Daniel Vorcaro. As autoridades argumentaram que não foram apresentadas provas suficientes que justificassem a abertura de uma investigação formal sobre o suposto esquema de corrupção nos fundos de pensão.
Em nota, o ministro Alexandre Padilha negou veementemente as acusações e qualquer envolvimento em irregularidades. Olavo Noleto também refutou os relatos do banqueiro. O caso ganhou novos contornos após o afastamento de gerentes da Caixa Econômica Federal que emitiram pareceres contrários a investimentos no Banco Master, conforme noticiado pelo jornal O Globo em julho de 2024.
A defesa de Júlio Cezar não retornou aos contatos para comentar as agendas confirmadas pelos registros oficiais. Até o momento, as acusações permanecem no âmbito dos relatos de Vorcaro, sem que inquéritos tenham sido instaurados para apurar a conduta dos agentes públicos citados nas reuniões do Palácio do Planalto.
Fonte: jornalopcao.com.br