Jornalista brasileiro é deportado da Argentina após críticas ao governo Milei
O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina e deportado pelas autoridades locais logo após seu desembarque em Buenos Aires. O profissional, que mantém residência alternada entre o Brasil e o país vizinho, teve seu visto de permanência cancelado e foi proibido de retornar ao território argentino pelos próximos cinco anos.
Conhecido por suas críticas contundentes à gestão do presidente Javier Milei, Tomaz Jr. tem utilizado suas plataformas para denunciar os impactos de medidas econômicas, como cortes em políticas sociais, privatizações e ajustes fiscais implementados pelo governo de extrema-direita. O jornalista, que atualmente produz um livro sobre a crise econômica argentina, aponta o episódio como um reflexo de uma escalada autoritária na administração atual.
Alegações oficiais e contestação do visto
Em entrevista ao portal UOL, o jornalista relatou que os funcionários do governo argentino justificaram a medida alegando irregularidades em seu visto de residência permanente, que possuía validade até 2037. Segundo as autoridades, a ausência prolongada do profissional no país desde 2022 teria invalidado sua condição de residente.
Tomaz Jr. contesta veementemente a versão oficial, argumentando que realiza viagens frequentes à Argentina. O jornalista sustenta que a decisão administrativa carece de fundamentação técnica e que o critério de “abandono” do país não se aplica à sua situação migratória real.
Suspeita de motivação política e embate nas redes
A expulsão ocorre em um contexto de tensão acentuada. O jornalista afirma que o cancelamento de seu visto foi oficializado em 5 de agosto, apenas duas semanas após um desentendimento público com um assessor direto de Javier Milei na rede social X. Para ele, a coincidência temporal entre o debate digital e a ação migratória não é fortuita.
Ao ser impedido de ingressar no país, Tomaz Jr. declarou que está sofrendo as consequências de sua postura crítica frente às políticas do governo argentino. O caso levanta questionamentos sobre a liberdade de circulação de profissionais de imprensa e o uso de aparatos estatais para retaliação política contra vozes dissidentes.
Fonte: cartacapital.com.br