Jorge Messias associa dívida das famílias ao governo Bolsonaro e promove o Desenrola 3.0
O advogado-geral da União, Jorge Messias, vinculou diretamente a atual crise de endividamento das famílias brasileiras às políticas adotadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e aos reflexos econômicos da pandemia de covid-19. Em um posicionamento divulgado em suas redes sociais, o ministro argumentou que a falta de uma rede de proteção social adequada no período anterior empurrou a população para o crédito informal e bancário como estratégia de sobrevivência.
A declaração ocorre em um momento de intensa polarização política, onde a saúde financeira do brasileiro tornou-se um dos principais campos de batalha eleitoral. Messias defendeu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado para corrigir essas distorções por meio de programas de renegociação, buscando aliviar o orçamento doméstico de milhões de cidadãos que perderam renda nos últimos anos.
Críticas à assistência estatal e o impacto da pandemia
Segundo a avaliação de Jorge Messias, muitas famílias foram obrigadas a contrair débitos elevados devido à perda de postos de trabalho e à redução drástica do poder de compra durante a crise sanitária. O ministro enfatizou que o governo anterior falhou em oferecer o suporte necessário, o que resultou em um efeito cascata de inadimplência que ainda persiste no cenário econômico nacional.
O AGU utilizou o vídeo publicado na plataforma X para reforçar a narrativa de que a gestão atual prioriza a recuperação da dignidade financeira. Ele destacou que o cenário de endividamento não é apenas um dado estatístico, mas o reflexo de escolhas políticas que negligenciaram as camadas mais vulneráveis da sociedade brasileira em um momento de vulnerabilidade extrema.
Funcionamento e metas do programa Desenrola 3.0
Como peça central da estratégia de recuperação econômica, o governo federal lançou o Desenrola 3.0 em 25 de setembro. O programa foi estruturado para atuar na compra de dívidas de pessoas físicas que possuem débitos em atraso por um período de dois a quatro anos e meio. A operação é realizada por meio de leilões com instituições financeiras, garantindo que o governo adquira esses ativos com deságios significativos.
As estimativas oficiais indicam que o montante de débitos elegíveis para a renegociação soma aproximadamente R$ 300 bilhões. O objetivo do Ministério da Fazenda é renegociar pelo menos R$ 150 bilhões desse total, oferecendo descontos que podem atingir a marca de 90%. Para viabilizar a medida, o custo estimado para os cofres públicos é de R$ 15 bilhões, valor considerado um investimento na reativação do consumo interno.
Polarização política e o cenário eleitoral de 2026
O debate sobre o endividamento extrapolou a esfera técnica e dominou a agenda política. O senador Flávio Bolsonaro, representando a oposição, atribui a responsabilidade pela situação financeira atual ao governo Lula. Segundo o parlamentar, o aumento dos gastos públicos pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter a taxa de juros em patamares elevados, encarecendo o custo do crédito para o consumidor final.
Em contrapartida, a gestão petista utiliza o sucesso das fases anteriores do Desenrola como trunfo eleitoral. O anúncio da terceira etapa do programa ocorreu estrategicamente nove dias antes do primeiro turno das eleições. Ao final de sua manifestação, Jorge Messias fez um apelo direto ao eleitorado, pedindo apoio para a continuidade do projeto político atual no segundo turno, agendado para o dia 25 de outubro.
Dados da CNC revelam recordes históricos de dívidas
Dados técnicos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que a preocupação com o tema é fundamentada em números reais. Em julho de 2026, o endividamento das famílias brasileiras atingiu o recorde histórico de 82%, o maior percentual registrado desde o início da série histórica em 2015. Naquele período, quase 30% das famílias possuíam contas em atraso.
Embora tenha ocorrido uma leve retração para 81,7% em setembro, outros indicadores apontam para uma persistência da crise. O tempo médio de atraso no pagamento das contas subiu para 65,3 dias, o maior nível desde o final de 2024. Além disso, cerca de 19,4% dos brasileiros declararam ter mais da metade de sua renda mensal comprometida exclusivamente com o pagamento de dívidas, limitando a capacidade de investimento e consumo básico.
Fonte: poder360.com.br