POLÍCIA

EUA aceleram corrida pela liderança global na computação quântica

O governo dos Estados Unidos intensificou, ao longo deste ano, uma estratégia agressiva para assegurar o protagonismo no mercado de computação quântica. Embora especialistas estimem que produtos comercialmente viáveis ainda estejam a pelo menos cinco anos de distância, a corrida tecnológica já movimenta gigantes como Google, Amazon e Microsoft, que buscam dominar um modelo de processamento capaz de resolver problemas complexos em frações de segundo.

Diferente dos dispositivos convencionais, como smartphones e laptops, os computadores quânticos utilizam as leis da física para processar volumes massivos de dados. O potencial de aplicação abrange desde o desenvolvimento de novos medicamentos e materiais resistentes até avanços cruciais nos setores de defesa, aeroespacial e automotivo. A tecnologia é dividida em pilares de computação, comunicação e sensoriamento, este último com capacidade futura para detectar desastres naturais e auxiliar na exploração de recursos minerais.

Estratégia industrial e a aquisição do HRL Laboratories

No centro da movimentação norte-americana está o HRL Laboratories, instituição sediada em Malibu, na Califórnia. O laboratório, que era controlado por Boeing e General Motors, tornou-se peça-chave ao ser adquirido pela IBM em 26 de agosto. A transação marca uma transição fundamental do setor, que deixa de ser estritamente acadêmico para adotar uma visão voltada ao comércio e à escala industrial.

O HRL é referência mundial no desenvolvimento de qubits de spin em silício. Esses componentes, essenciais para a infraestrutura quântica, permitem simular o comportamento de átomos e moléculas com um nível de precisão inalcançável para processadores tradicionais. A escolha pelo silício não é aleatória: ela permite que a produção aproveite a infraestrutura de semicondutores já existente, evitando a necessidade de criar métodos de fabricação do zero.

Investimentos bilionários e soberania tecnológica

A ofensiva dos EUA inclui a criação da subsidiária Anderon, focada em uma linha de produção de wafers quânticos em Albany, Nova York. O projeto conta com um aporte de US$ 1 bilhão proveniente do Departamento de Comércio dos EUA, via Chips and Science Act, somado a outro US$ 1 bilhão investido pela própria IBM. O objetivo central é evitar a dependência externa, similar à observada na indústria de microchips, hoje concentrada em Taiwan.

Thaddeus Ladd, cientista-chefe da Divisão de Física Computacional da HRL, reforça que a intenção do governo é garantir que a fabricação ocorra em solo nacional. Embora a pesquisa esteja protegida por controles de exportação rigorosos, a expectativa é que o produto final seja comercializado globalmente. O cronograma, estabelecido em setembro, prioriza a aceleração do desenvolvimento, ainda que a escala comercial permaneça como um horizonte de médio prazo.

Fonte: poder360.com.br

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