PF aponta elo entre Daniel Vorcaro e aliados de Padilha para captar R$ 10 bilhões em estatais

Documentos obtidos pela Polícia Federal e revelados pela revista VEJA expõem os bastidores de uma articulação entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e integrantes do grupo político do ministro Alexandre Padilha. As tratativas, iniciadas em fevereiro de 2024, tinham como foco central o acesso a fundos de pensão de estatais brasileiras, visando uma captação estimada em R$ 10 bilhões.
O material, que inclui centenas de mensagens e registros telefônicos, detalha como o banqueiro buscou influência dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia envolvia o uso de intermediários para garantir reuniões com dirigentes da Petros, Postalis, Previ e Caixa Econômica Federal, em um esquema que, segundo relatos, previa o pagamento de propina.
A rede de contatos e o papel de Júlio Cezar
A ponte entre o setor financeiro e o Palácio do Planalto era feita por Júlio Cezar, um consultor sediado em Goiânia. Ele atuava diretamente na gestão da agenda do banqueiro, mantendo contato constante com Olavo Noleto, então braço-direito de Padilha no Ministério das Relações Institucionais, e com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
As evidências mostram que a aproximação foi consolidada após o cancelamento de um encontro anterior com a Petros. Hamilton Buzelin, ex-diretor do Banco Máxima, foi quem introduziu Vorcaro à rede de Júlio Cezar, enfatizando a necessidade de um alinhamento prévio entre o banqueiro e o consultor antes de qualquer reunião oficial com as autoridades.
Encontro no Planalto e promessas de acesso
Em 1º de março de 2024, o esforço culminou em uma reunião presencial no Palácio do Planalto com o ministro Alexandre Padilha. Estiveram presentes na ocasião Olavo Noleto, Júlio Cezar e um parente do consultor. Segundo o relato de Vorcaro, o ministro teria sinalizado que as demandas tratadas com Noleto possuíam o mesmo peso de uma conversa direta com ele.
Após o encontro, o grupo teria se reunido na residência do banqueiro em Brasília. Foi neste momento que, conforme a proposta de delação, o acesso aos fundos de pensão teria sido condicionado ao pagamento de 10% sobre os valores captados. A meta do Banco Master era ambiciosa, com a destinação de R$ 1 bilhão para o suposto esquema de propina.
Aceleração de agendas em fundos de estatais
As mensagens interceptadas pela Polícia Federal demonstram a urgência e a influência do grupo na marcação de compromissos. Em áudio de maio de 2024, Júlio Cezar cobra atualizações de Vorcaro sobre as tratativas com o Banco do Brasil, prometendo colocá-lo na “boca do gol” para as negociações.
A eficácia da rede de contatos era monitorada de perto. Em outra ocasião, o consultor garantiu que a agenda do presidente do Postalis seria bloqueada exclusivamente para receber o banqueiro. O caso segue sob investigação, detalhando as conexões entre o poder público e o interesse privado na gestão de recursos de fundos de pensão. Para mais informações sobre o cenário político, acompanhe o Poder360.
Fonte: poder360.com.br