Nasa desenvolve tecnologia quântica para monitorar mudanças climáticas e desastres naturais

A Nasa planeja lançar, entre 2030 e 2031, a próxima geração do projeto Grace, sistema fundamental para o rastreamento do movimento de água em todo o planeta. A informação foi confirmada por Jason Hyon, chefe de Tecnologia da Diretoria de Ciências e Tecnologia da Terra da agência, durante visita ao JPL (Jet Propulsion Lab), em Pasadena, na Califórnia.
Evolução da tecnologia de monitoramento global
O projeto original, fruto de uma parceria com o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, foi iniciado em 2002 e operou até 2017. Atualmente, a missão Grace-FO, em órbita desde maio de 2018, utiliza dois satélites idênticos que medem variações no campo gravitacional terrestre. Esse sistema permite monitorar o derretimento de calotas polares, o nível dos oceanos e o volume de água em aquíferos subterrâneos.
Entre 2002 e 2025, o sistema detectou que a Antártica perdeu cerca de 135 gigatoneladas de gelo anualmente, contribuindo para uma elevação de 0,4 milímetro por ano no nível dos oceanos. A nova versão da missão representará um salto tecnológico significativo, passando a utilizar apenas um satélite equipado com sensores de gravimetria quântica.
Inovação com sensores quânticos
A nova tecnologia substituirá o atual sistema de micro-ondas e laser por nuvens de átomos resfriadas a temperaturas extremas, próximas de -273ºC. Essa abordagem permitirá uma sensibilidade sem precedentes na detecção de variações de densidade no solo, auxiliando no mapeamento de recursos minerais, petróleo e gás, além de observar fenômenos naturais.
Segundo Jason Hyon, a versatilidade do novo sensor permitirá identificar deslocamentos de massa causados por terremotos e secas com maior precisão. A capacidade de medir variações de massa em qualquer região torna o equipamento uma ferramenta estratégica para a gestão de recursos naturais e a resposta a emergências geológicas.
Prevenção de enchentes e impactos do El Niño
O cientista sênior da Nasa, Felix Landerer, destaca que a tecnologia é capaz de identificar áreas com solo saturado, um indicador crítico para o risco de enchentes. Embora o sistema não preveja chuvas, ele monitora o nível de armazenamento de água subterrânea, funcionando como um termômetro para a capacidade de absorção do solo diante de tempestades.
Esses dados são cruciais para países da América do Sul no enfrentamento do fenômeno El Niño. No Brasil, o evento climático historicamente provoca secas no Norte e Nordeste, enquanto intensifica as chuvas no Sul e Sudeste. A precisão do monitoramento permite que autoridades locais antecipem vulnerabilidades e planejem ações de mitigação contra transbordamentos e inundações decorrentes das variações climáticas globais.